O rompimento de uma canalização de água nesta terça-feira na avenida Pará, no São Geraldo, provocou transtornos a comerciantes e moradores da região e interrompeu abastecimento de água em outros bairros: Floresta e Navegantes. No cruzamento da Pará com a rua Buarque de Macedo, a água tomou conta das calçadas. Conforme proprietários de estabelecimentos comerciais, os problemas se acentuam em dias de chuva, quando os bueiros ficam entupidos.
Proprietária da Medicalmed, empresa que comercializa equipamentos para hospitais, como monitor de UTI e ventiladores, Juliana do Carmo afirma que ao chegar no local e encontrar a rua tomada pelas águas, acionou o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). "Trabalhamos com equipamentos médicos. A transportadora não conseguiu chegar aqui para entregar os produtos, isso prejudicou nosso negócio. Embaixo do prédio temos assistência técnica dos equipamentos e se entra água pode causar prejuízo enorme para gente", garantiu.
Mais do que os problemas de alagamento, Juliana criticou a falta de sinalização da via pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), uma vez que os veículos passavam pelo local em alta velocidade jogando água na direção dos pedestres. Ela relata que é comum os próprios donos dos estabelecimentos comerciais realizarem a limpeza de bueiros para evitar transtornos como o de ontem. "Estamos instalados aqui há dez anos e todo ano acontece a mesma coisa: entope bueiro e dá alagamento. É um problema recorrente", frisou, acrescentando que levou mais de uma hora para conseguir contato com o Dmae.
Uma fábrica de parafusos especiais, localizada na rua Buarque de Macedo, também foi atingida pelo alagamento. A proprietária da Benfato Usinagem, Tatiane Fochezatto, relatou que o local ficou totalmente alagado durante o dia. "Nossos clientes, que vêm a pé, não conseguem acessar aqui porque as duas calçadas ficaram alagadas. De carro dá medo porque ninguém conhece a profundidade, tem gente que dá meia volta", afirma. "Não tinha nenhuma sinalização, e até agora a tarde (ontem) não tem, porque não fecharam a rua", acrescentou.
Tatiane explicou que mais do que o desconforto provocado pelo alagamento, é preciso alertar os clientes sobre o problema na região. "Tenho que pedir não para não vir nesse dia ou nesse turno, porque sabe que vai ter problema, transtorno. Não tem vaga para estacionar", frisou. Há duas décadas instalada na região, ela garante agora a água demora a escoar. "Quando vem chuva muito forte, alaga e escoa. Hoje não sei o que ocorreu, se não acionaram as bombas. Só as nossas ruas que alagam", observou.
O Dmae informou que uma equipe trabalhava até o final do dia de hoje para consertar a canalização. E destaca que outros bairros poderiam ficar sem água, como Anchieta, Auxiliadora, Humaitá, Moinhos de Vento, São João e Vila Farrapos.