• Em imagens, a destruição do Mercado Público
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Vieira estima que cerca de mil funcionários devem ficar parados, enquanto não se libera a abertura parcial da estrutura. Conforme ele, os permissionários não precisarão pagar aluguel das lojas durante o tempo que não puderem explorar os estabelecimentos. O presidente da Associação passou por todas unidades para constatar os danos de perto. Com lanternas, já que a energia elétrica estava desligada, os comerciantes tentavam salvar mercadorias não atingidas.
Na tarde deste domingo, diversos caminhões frigoríficos estacionaram ao lado do Paço Municipal para carregar carnes, peixes, frutas e outros produtos perecíveis para depósitos. Viera informou que boa parte dos estabelecimentos do primeiro piso, pouco atingido, conseguiu preservar as mercadorias e terá que pagar um local até restabelecer a situação.
Dono de um açougue na parte inferior do Mercado, Vieira conta com as linhas de créditos prometidas pelas autoridades para que os empresários possam se organizar e retomar o trabalho. Também deve pedir mais segurança com a finalidade de evitar novas tragédias. “Há 15 dias os extintores de incêndio e mangueiras haviam sido trocados”, contou.
Nas primeiras horas desta segunda-feira, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) fará uma limpeza no local, retirando entulhos e outros objetos perdidos, segundo o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, que esteve no Mercado durante todo o domingo e levou agentes da Defesa Civil e funcionários do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) para desentupir calhas afetadas durante o incêndio. “Lonas foram colocadas na parte superior”, explicou. Ele informou também que fará reunião com a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) para viabilizar o fornecimento de luz, com segurança. “Fazemos um apelo para que as pessoas não venham ao Mercado, porque ele está fechado”, declarou.
O Mercado Público
Inaugurado em outubro de 1869, o Mercado Público de Porto Alegre foi criado para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. O local foi tombado como bem cultural em 1979 e passou por um processo de restauração entre os anos de 1990 e 1997, o que garantiu ao lugar um espaço maior aos estabelecimentos comerciais, mas sempre manteve a concepção arquitetônica original.
O incêndio desse sábado não foi o primeiro enfrentado pelo Mercado Público. Em 1912, um sinistro destruiu os chalés internos. Em 1941, uma enchente atingiu o Mercado e, 38 anos mais tarde, mais dois sinistros destruíram as dependências do estabelecimento que é um dos principais cartões postais de Porto Alegre. O local chegou a ser ameaçado de demolição durante a administração de Telmo Thompson Flores. Na época, era cogitada a construção de uma avenida.
Na década de 90, quando passou por reforma, o Mercado Público recuperou a percepção visual das arcadas. O trabalho resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infraestrutura compatíveis com o funcionamento do Mercado. A nova cobertura possibilitou a integração entre o térreo e o segundo pavimento.
No segundo andar, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, diversos estabelecimentos como restaurantes e lancherias passaram ocupar o espaço. Com nova infraestrutura, o cartão postal de Porto Alegre ganhou também um Memorial, além de duas escadas rolantes e dois elevadores. O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo 88% do orçamento da Prefeitura e 12% do Fundo Municipal do Mercado Público e doações diversas.