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Comerciantes retiram mercadorias não afetadas pelo fogo

DMLU fará limpeza no Mercado Público nas primeiras horas desta segunda-feira

Caminhões frigoríficos estacionaram no Paço Municipal para retirar produtos
Caminhões frigoríficos estacionaram no Paço Municipal para retirar produtos Foto : Mauro Schaefer
Inestimáveis são os prejuízos registrados pelos comerciantes do Mercado Público de Porto Alegre. Depois que um dos símbolos da cidade pegou fogo na noite desse sábado, as pessoas que tiram sustento do local não tiveram tempo para calcular as perdas, somente de recuperar o que não havia sido destruído pelas chamas. “Não arrisco a estipular um valor. O problema maior foi na parte superior. Embaixo o que preocupa é o tempo que ficaremos sem trabalhar”, afirmou o presidente da Associação do Comércio do Mercado Público Central, Ivan Konig Vieira.

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Vieira estima que cerca de mil funcionários devem ficar parados, enquanto não se libera a abertura parcial da estrutura. Conforme ele, os permissionários não precisarão pagar aluguel das lojas durante o tempo que não puderem explorar os estabelecimentos. O presidente da Associação passou por todas unidades para constatar os danos de perto. Com lanternas, já que a energia elétrica estava desligada, os comerciantes tentavam salvar mercadorias não atingidas.

Na tarde deste domingo, diversos caminhões frigoríficos estacionaram ao lado do Paço Municipal para carregar carnes, peixes, frutas e outros produtos perecíveis para depósitos. Viera informou que boa parte dos estabelecimentos do primeiro piso, pouco atingido, conseguiu preservar as mercadorias e terá que pagar um local até restabelecer a situação.

Dono de um açougue na parte inferior do Mercado, Vieira conta com as linhas de créditos prometidas pelas autoridades para que os empresários possam se organizar e retomar o trabalho. Também deve pedir mais segurança com a finalidade de evitar novas tragédias. “Há 15 dias os extintores de incêndio e mangueiras haviam sido trocados”, contou.

Nas primeiras horas desta segunda-feira, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) fará uma limpeza no local, retirando entulhos e outros objetos perdidos, segundo o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, que esteve no Mercado durante todo o domingo e levou agentes da Defesa Civil e funcionários do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) para desentupir calhas afetadas durante o incêndio. “Lonas foram colocadas na parte superior”, explicou. Ele informou também que fará reunião com a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) para viabilizar o fornecimento de luz, com segurança. “Fazemos um apelo para que as pessoas não venham ao Mercado, porque ele está fechado”, declarou.

O Mercado Público


Inaugurado em outubro de 1869, o Mercado Público de Porto Alegre foi criado para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. O local foi tombado como bem cultural em 1979 e passou por um processo de restauração entre os anos de 1990 e 1997, o que garantiu ao lugar um espaço maior aos estabelecimentos comerciais, mas sempre manteve a concepção arquitetônica original.

O incêndio desse sábado não foi o primeiro enfrentado pelo Mercado Público. Em 1912, um sinistro destruiu os chalés internos. Em 1941, uma enchente atingiu o Mercado e, 38 anos mais tarde, mais dois sinistros destruíram as dependências do estabelecimento que é um dos principais cartões postais de Porto Alegre. O local chegou a ser ameaçado de demolição durante a administração de Telmo Thompson Flores. Na época, era cogitada a construção de uma avenida.

Na década de 90, quando passou por reforma, o Mercado Público recuperou a percepção visual das arcadas. O trabalho resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infraestrutura compatíveis com o funcionamento do Mercado. A nova cobertura possibilitou a integração entre o térreo e o segundo pavimento.

No segundo andar, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, diversos estabelecimentos como restaurantes e lancherias passaram ocupar o espaço. Com nova infraestrutura, o cartão postal de Porto Alegre ganhou também um Memorial, além de duas escadas rolantes e dois elevadores. O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo 88% do orçamento da Prefeitura e 12% do Fundo Municipal do Mercado Público e doações diversas.


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