O fechamento dos postos de saúde para reformas e a demora no início de obras em algumas unidades da Capital provocam transtornos à população que necessita do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A avaliação foi feita nesta terça-feira pelo presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores, Aldacir Oliboni, após reunião com representantes de conselhos distritais e sindicatos.
Segundo ele, é grande o número de reclamações de comunidades devido ao aumento das carências no atendimento. “Existe a necessidade de ampliar o número de agentes do Programa Saúde da Família e de agilizar as obras nos postos e unidades. Esses dois fatores têm deixado à população sem o atendimento esperado”, afirmou.
O vereador comentou a situação dos moradores da zona Leste de Porto Alegre, em especial no bairro Partenon. “No dia a dia é difícil conseguir uma consulta com um médico especialista. E quando é marcado o atendimento é para meses depois. Assim, é claro que os pacientes não vão esperar as consultas e irão direto nas emergências dos hospitais”, explicou o presidente da comissão.
Segundo a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Maria Letícia de Oliveira Garcia, a realidade diária nos postos é diferente da mostrada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Ela citou a espera da comunidade para construção do prédio para o posto de saúde São José, no bairro São José. “Existe a aprovação de recursos por meio de uma emenda parlamentar. Devido a impasses burocráticos, a obra ainda nem começou”, afirmou Maria Letícia.
A coordenadora ressaltou que o conselho, em parceria com técnicos da SMS, começou a elaborar um estudo sobre os “vazios de assistência médica”. “Fizemos um mapa com todas as regiões de Porto Alegre, mostrando os principais problemas, mas não houve nenhum posicionamento claro da Prefeitura para solucionar esses problemas”, disse.
Durante a reunião, a coordenadora do Conselho na região Sul e Centro-Sul, Maria Aparecida Celi Borges, aproveitou para mostrar um abaixo-assinado feito pela comunidade em protesto contra a falta de um pediatra e um clínico geral na Unidade Básica de Saúde Calábria, no bairro Vila Nova.
“A situação é crítica. Cada vez que uma pessoa precisa de atendimento tem que procurar outros locais porque não há um profissional responsável que possa atender uma emergência”, afirmou ela. O documento foi entregue diretamente ao secretário-ajunto da saúde, Marcelo Bóssio. Segundo ele, a situação será verificada.
Na reunião, o secretário-adjunto lembrou que uma série de obras e reformas estão em andamento nas unidades para melhorar o atendimento. Além disso, destacou que existe interesse da SMS em conversar com os setores envolvidos, como sindicatos e conselhos distritais de saúde.
Entre as obras, Bóssio citou a reforma na Unidade do bairro Ipanema, que está recebendo melhorias na estrutura física, como na rede elétrica e hidráulica. A previsão é de que o atendimento seja normalizado nesta semana.
Comissão discute problemas em postos de saúde da Capital
Aldacir Oliboni se reuniu com representantes de conselhos distritais e sindicatos