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Como abordar o suicídio na mídia é tema de capacitação na Amrigs

Especialistas explicam impactos na fala da imprensa e como público geral pode contribuir para conscientização do tema

O suicídio é um problema de saúde pública e, segundo dados de 2016 da Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se de uma das principais causas de morte no mundo, especialmente entre os jovens. Para tratar a complexidade do tema foi promovida a capacitação "Calar ou noticiar? Como abordar o suicídio na mídia e redes digitais", nesta quinta-feira, na Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs).

O evento foi realizado pelo Comitê Estadual de Promoção da Vida e de Prevenção ao Suicídio em parceria com a Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS) e Centro de Valorização da Vida (CVV). Reunindo dezenas de profissionais da área da comunicação, teve palestras com contextualização histórica, dados recentes em quadros comparativos e, por fim, abordagens da temática na mídia.

Segundo a psicóloga Nathália Fattah do Comitê Estadual de Promoção da Vida e de Prevenção ao Suicídio da Secretaria Estadual de Saúde, ao contrário do que diz o senso comum, o suicídio não teve uma grande elevação nos últimos anos e sim um aumento no registro de casos nas unidades de saúde. Para a médica psiquiatra e membro do Comitê de Prevenção do Suicídio, Berenice Rheinheimer, as motivações variam de caso a caso, mas nunca são fatos isolados e funcionam como uma sobreposição de cargas. “Nunca é apenas a perda de um emprego. Esse pode ser apenas o fator desencadeador”, completa.

A abordagem jornalística do suicídio

A discussão sobre o tema do suicídio em veículos e redes sociais é um assunto que divide opiniões. Os limites da informação em detrimento da saúde mental e até que ponto deve-se expor casos para atrair o interesse público evidenciam, muitas vezes, a falta de informação de parte dos profissionais.

Atualmente, a OMS disponibiliza para os jornalistas um documento demonstrando como deve ser a abordagem da temática. O coordenador do Comitê de Prevenção Ao Suicídio da APRS, Rafael Moreno Ferro Araújo, destaca que existem dados que nunca podem ser noticiados. “Métodos servem de estímulo para quem pretende atentar contra a própria vida e não devem ser divulgados. Entre os leitores dos jornais, mais de 5% das pessoas estão pensando sobre o assunto”, completa. De acordo com o médico, 1 milhão de pessoas no RS consideram cometer suicídio todos os dias, e a diferença entre o pensamento e o ato está na falta de informação sobre os métodos, o que, segundo ele, deve permanecer em sigilo pela imprensa.

Embora a abordagem seja complexa, as medidas de prevenção tanto na mídia quando na sociedade em geral vão desde o cuidado com a passividade na fala da imprensa até a supressão de expressões alarmantes, entre outros. Em casos específicos de figuras públicas, é importante ter sensibilidade ao retratar perfis, destacando problemas anteriores de saúde, além de preservação da imagem da pessoa falecida.

Foi destacado que é fundamental que profissionais da comunicação orientem por meio de suas matérias onde buscar auxílio para a questão. Gratuitamente, o CVV disponibiliza atendimento 24 horas por telefone (188) e outros canais acessíveis pelo site do órgão.