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Concessão de praças e parques de Porto Alegre volta a ser analisada hoje por vereadores

Prefeitura alega que devido à crise financeira falta dinheiro para a manutenção dos locais

Uso gratuito dos espaços ao ar livre em Porto Alegre gera dúvidas no projeto
Uso gratuito dos espaços ao ar livre em Porto Alegre gera dúvidas no projeto Foto : Jefferson Bernardes /Arquivo PMPA / Rádio Guaíba / CP

A Câmara de Vereadores de Porto Alegre volta a analisar, nesta quarta-feira, o projeto que prevê a concessão de praças e parques urbanos à iniciativa privada e a possibilidade de cobrança de ingresso aos frequentadores. O ponto que gera dúvidas é sobre o uso gratuito dos espaços ao ar livre: segundo o texto, fica autorizada a cobrança de ingresso para acesso às áreas fechadas dos parques em que tenham sido realizados “investimentos substanciais” pelo concessionário.

De acordo com um levantamento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams), a prefeitura gasta R$ 5,6 milhões por ano com a manutenção, conservação e pessoal de praças e parques. Na justificativa do projeto, o Executivo destacou que “o município enfrenta grave crise econômico-financeira”. O modelo de concessão pode ser aplicado em nove parques e 637 praças da cidade.

O projeto começou a ser analisado na última segunda-feira. No total, 19 emendas foram apresentadas ao texto original. A primeira, apresentada pelos vereadores de oposição, já foi analisada e rejeitada.

Pelas redes sociais, vereadores de oposição e da base do governo se manifestaram sobre a proposta. Vice-líder da oposição, Marcelo Sgarbossa (PT) escreveu no Twitter: “Não deixe Marchezan privatizar e permitir a cobrança de ingressos em parques e praças de Porto Alegre por até 35 anos”. O parlamentar ainda convocou a oposição para comparecer à Câmara: “Venha para a Câmara na tarde desta quarta-feira (3/4) e manifeste sua oposição a esse projeto nefasto da atual gestão! Vamos impedir mais um retrocesso”.

Já o vice-líder do governo, Moisés Barboza (PSDB), classificou a postagem de Sgarbossa como populista e mentirosa: “Mentiras deslavadas de quem só sabe fazer votos promovendo a raiva nas pessoas”, postou.

Entenda o projeto

De acordo com a proposta, que foi encaminhada pelo poder Executivo, as concessões, que serão formalizadas após licitação, deverão garantir a manutenção dos serviços ambientais, as funções ecológicas, estéticas e de equilíbrio ambiental, observadas as regras de manejo arbóreo, proteção das nascentes, cursos d’água, lagos, fauna, flora e permeabilidade do solo.

A proposta prevê quatro tipos de concessão: comum, patrocinada, administrativa ou simples uso de bem público. “Poderão ser objeto de concessão a integralidade de praças e parques urbanos, ou de parcela da área ou dos serviços de operação, administração, conservação, manutenção, implantação, reforma, ampliação ou melhoramento da infraestrutura”, estipula o projeto. O prazo de concessão será de, no máximo, 35 anos.

O mobiliário do parque e demais equipamentos integrantes da concessão poderão ser objeto de exploração publicitária por parte dos concessionários. O projeto do Executivo abre a possibilidade de serem instituídas novas receitas, além das previstas no edital de licitação e no contrato, mediante autorização e compartilhamento de receitas com o Poder Público: “Poderão ser instituídas novas receitas com vista à recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, inclusive por conta do acréscimo de encargos do concessionário, por meio de revisão contratual”, diz parte do texto.