Com a suspensão do complemento da passagem determinado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS) na semana passada, o reajuste anual dos rodoviários poderá não ser pago pelas empresas. O alerta é diretor do diretor do consórcio Via Leste, Ênio Roberto dos Reis, “O sistema está indo para o caos. Não sei se as empresas conseguirão cumprir seus compromissos”, explicou ele, reiterando afirmações da semana passada.
Segundo Reis, o preço da passagem de R$ 3,25 não cobre as despesas das empresas com combustíveis e com os trabalhadores. Durante esta semana, as empresas farão reuniões para avaliar a possibilidade de recorrer da decisão do TJ/RS. A tarifa de ônibus segue congelada em R$ 3,25 desde o final de fevereiro.
Por outro lado, os rodoviários da Capital não descartam a possibilidade de paralisação caso o reajuste não seja pago a categoria. Os motoristas e cobradores de ônibus de Porto Alegre deveriam receber o reajuste anual de 11,8%. No entanto, na quarta-feira passada, o TJ/RS suspendeu as liminares que determinavam que a prefeitura de Porto Alegre pagasse R$ 0,50 a mais por viagem de cada passageiro, a três dos quatro consórcios privados que operam o sistema na cidade. Os rodoviários, que já receberam o adiantamento salarial reduzido no dia 15, agora reforçam a possibilidade de protestos se os pagamentos dos dias 31 de março e 1º de abril seguirem sem o dissídio.
Nos dias 14 e 17 de março, três consórcios (Via Leste, Sudeste/Mais e Sul) obtiveram pela via judicial o direito de serem ressarcidos pelo congelamento dos preços. Uma diferença de R$ 0,50 por passagem vendida foi bancada pela prefeitura, mas o prefeito José Fortunati decidiu recorrer da decisão.
Desde o dia 24 de fevereiro os valores permanecem em R$ 3,25 para os ônibus e R$ 4,85 para as lotações.
Consórcios ameaçam não pagar dissídio aos rodoviários
TJ suspendeu subsídio da prefeitura a empresas na semana passada