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Conselho Regional de Enfermagem investiga ausência de enfermeiros na Unidade de Saúde Modelo

Prefeitura de Porto Alegre alega que falta é motivada pelo número de profissionais em atestado médico

Conselho Regional de Enfermagem investiga ausência de enfermeiros na Unidade de Saúde Modelo
Conselho Regional de Enfermagem investiga ausência de enfermeiros na Unidade de Saúde Modelo Foto : Guilherme Testa / CP

Uma denúncia do Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul (Sergs) motivou a criação de um grupo de trabalho para verificar as condições da categoria em Porto Alegre. Segundo a entidade, a Unidade de Saúde Modelo, uma das referências da rede na Capital, está funcionando sem a presença de enfermeiros – que, além de atuarem diretamente com os pacientes, supervisionam os técnicos em enfermagem.

Segundo o presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS), Daniel Menezes de Souza, o posto foi alvo de fiscalização. Ele não quis detalhar o que foi percebido no local, mas adiantou que há irregularidades. “Identificamos dificuldades e ausência de enfermeiros em diversas unidades. Em determinadas situações, podemos ingressar até mesmo na Justiça”, afirmou.

O Coren-RS pretende notificar a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), com o resultado da inspeção, ainda nesta semana. Segundo o departamento jurídico da entidade, a prefeitura de Porto Alegre já responde na Justiça por duas situações parecidas com a relatada pelo Sindicato dos Enfermeiros, referentes ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) e ao Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (HMIPV).

“Antes da judicialização, o Conselho notifica o gestor para que ele regularize a situação em um curto espaço de tempo. Também enviamos as informações ao Ministério Público que, como fiscal da lei e da sociedade, tem o interesse em agir nesses casos”, ressalta Daniel Menezes de Souza.

Contraponto

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde afirma que “na noite dessa segunda-feira, duas enfermeiras apresentaram atestado por questões particulares, o que ocasionou a ausência temporada”. Ainda conforme a pasta, “outra já estava igualmente em atestado médico”. A administração garante que o quadro já está reestabelecido, sem nenhum prejuízo no atendimento à população.

A prefeitura de Porto Alegre estima que os atestados correspondem a até 30% do total de afastamentos dentre os profissionais que atuam no serviço público. “Todas as equipes contratualizadas estão completas. O SERGS mais uma vez mostra que só valoriza os profissionais de enfermagem que trabalham em serviços estatais, não reconhecendo os que atendem no SUS em entidades privadas”, finaliza a SMS.

Confira a íntegra da nota da Secretaria de Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde ressalta seu compromisso com a verdade e o cuidado em saúde com a população que depende do Sistema Único de Saúde. Na noite desta segunda-feira, dia 28, duas enfermeiras apresentaram atestado por questões particulares o que ocasionou a ausência temporária. Além disso, outra já estava igualmente em atestado médico. No entanto, o quadro já está reestabelecido normalmente sem nenhum prejuízo no atendimento à população. Importante ressaltar que afastamentos por atestados é muito comum no sistema estatal, chegando até 30% do total de profissionais de enfermagem em alguns serviços.

As contratualizações com entidades filantrópicas – Santa Casa, Divina Providência e Vila Nova – no atendimento realizado nos postos de saúde ampliaram a cobertura da Atenção Primária na capital. Hoje há 318 equipes de saúde com enfermeiros e técnicos de enfermagem, um aumento de mais de 50%, com expansão importante do quantitativo de funcionários atendendo a população. Todas as equipes contratualizadas estão completas. O SERGS mais uma vez mostra que só valoriza os profissionais de enfermagem que trabalham em serviços estatais, não reconhecendo os profissionais que atendem no SUS em entidades privadas.