Cada assentado deveria receber R$ 3,5 mil que seriam pagos por meio da entrega de alimentos à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Como nenhum deles sabia da dívida, ninguém pagou e todos ficaram inadimplentes.
De acordo com o presidente da Associação Rural Zumbi dos Palmares (Arzup), José Antonio Maciel, as famílias só tomaram conhecimento quando o débito foi cobrado pela Conab, no final do ano passado. Ele disse que o dinheiro foi liberado por meio de um convênio firmado em 2009 entre a cooperativa e a superintendência paulista do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas sem o conhecimento dos assentados.
No lugar dos beneficiários, quem assinou o documento foi o então presidente da Cocafi, Miguel da Luz Serpa, coordenador regional do MST. Entre os inadimplentes está a esposa de Maciel, Ondina. "Ninguém viu a cor desse dinheiro", disse a assentada. A associação levou o caso ao MPF de Ourinhos, também no interior de São Paulo. A cooperativa já foi intimada para prestar contas.
Serpa, que não está mais na direção da Cocafi, não retornou as ligações. A assessoria de imprensa do MST informou que a questão envolve a cooperativa e o Incra e que o convênio foi cancelado pelo órgão federal. Consultada pela assessoria de comunicação, a superintendência do Incra em São Paulo não se manifestou.
A Cocafi já é investigada pelo MPF por desvios na comercialização de 400 mil metros cúbicos de madeira retirada do assentamento. Pelo convênio com o Incra, a verba estimada em R$ 3 milhões deveria ter sido aplicada nos lotes, mas isso não ocorreu. No ano passado, o órgão revogou o convênio com a cooperativa e suspendeu a venda da madeira.