O advogado do coronel uruguaio Manuel Cordero entrou com recurso, nesta quinta-feira, na Justiça para tentar transferir o militar, acusado de crimes na ditadura, a um hospital de Porto Alegre. Sob custódia da Polícia Federal no Centro Hospitalar Santanense, em Santana do Livramento, Cordero tenta evitar a extradição para a Argentina. O poder judiciário do país vizinho quer julgá-lo por 11 assassinatos e o desaparecimento de uma criança entre os anos 70 e 80.
Ao ser detido pela PF, nessa terça, em Livramento, o oficial teve um mal-estar, o que atrasa a extradição dele, determinada pelo Superior Tribunal Federal (STF), a partir de um pedido da Justiça argentina. A Interpol poderá enviar, até amanhã, dois médicos peritos para analisar o militar. O superitendente da PF no Estado, delegado Ildo Gasparetto, suspeita que Cordero tenha forjado os problemas médicos para evitar punições. "É muita coincidência o estado de saúde dele ter piorado justamente agora", afirmou.
Nessa tarde, um grupo de uruguaios, moradores de Rivera, protestou em frente ao Hospital, onde Cordero está internado. A possível transferência do militar para uma insitutição de saúde de Porto Alegre repercute nos principais jornais de Montevidéu. No site do El País, jornalistas uruguaios preveem que ainda, nesta quinta, Cordero chegará a Capital gaúcha. Confira: http://www.elpais.com.uy/100121/ultmo-466790/ultimomomento/cordero-sera-trasladado-hoy-a-porto-alegre.
A extradição do oficial do país vizinho poderá abrir brechas jurídicas para que militares brasileiros sejam julgados por crimes cometidos durante a ditadura (1964-1985). Ao contrário do Uruguai, do Chile, do Paraguai e da Argentina, no Brasil, militares não foram punidos por crimes cometidos no período da repressão política, devido a Lei da Anistia Penal. Segundo juristas, com a decisão do STF sobre o coronel uruguaio, o Ministério Público Federal passa a ter elementos para denunciar militares acusados de participar e comandar torturas, assassinatos e desaparecimentos. Em São Paulo, um procurador do MPF já conduz uma investigação, embasada no "Caso Cordero".
O oficial foi um dos pricipais protagonistas da Operação Condor, esquema de cooperação entre os regimes militares da América do Sul, apoiado pelo governo dos EUA.
Coronel uruguaio vai à Justiça para tentar evitar extradição
Sob custódia da PF na Fronteira gaúcha, Manoel Cordero quer ser hospitalizado em Porto Alegre