Alcaraz faz parte da história do jornalismo gaúcho. Ele foi um dos responsáveis pela cobertura dos mais importantes acontecimentos jornalísticos dos anos 1960 e 1970 e trabalhou até o final da vida. Ajudou a fundar a Rádio Guaíba e comandou o programa Guerrilheiros da Notícia na emissora. Alcaraz ainda apresentou os programas Fórum e Guerrilheiros da Notícia na antiga TV Guaíba. Até setembro de 2007, o jornalista tinha uma coluna diária no Correio do Povo. Atualmente, apresentava o programa Guerrilheiros da Notícia na TV Pampa.
Alcaraz contou em uma entrevista à Rádio Guaíba, em novembro de 1974, como encarava a profissão: “Eu tenho uma filosofia e método de análise jornalistica dos quais nunca abrirei mão. Sou um profissional de opinião. Se isso desagradar a alguns, ou a muitos, paciência. Eu prefiro permanecer honesto com a minha consciência a bancar o bonzinho ao água morna. Eu, como repórter, procuro ser como um fotógrafo. Retratar a realidade e transmiti-la intacta e às vezes com a sua interpretação”.
Biografia
Flávio Alcaraz Gomes nasceu em Porto Alegre, em 25 de maio de 1927, neto de Joaquim Alcaraz, um dos primeiros diretores do Correio do Povo. Estudou no Ginásio do Rosário e no Colégio Júlio de Castilhos. Formou-se em Direito na Ufrgs, em 1949, e em Jornalismo na Pucrs, em 1963. Ingressou na imprensa em 1944. Foi revisor, repórter e redator do Correio do Povo e da Folha da Tarde.
Estudou na Sorbonne, em Paris, entre 1950 e 1952. No retorno à Capital, foi repórter de Polícia da Folha da Tarde. Entre as suas atividades como repórter internacional, atuou na Copa do Mundo de 1958 e de 1970. Nos anos 1960 e 1970, como correspondente no Oriente Médio e na Europa, cobriu a Guerra dos Seis Dias, a Guerra do Vietnã e, em Paris, a rebelião estudantil de maio de 1968.
Acompanhou o lançamento de nave espacial em Cabo Canaveral, nos Estados Unidos. Flávio também cobriu o sequestro do cônsul do Brasil no Uruguai pelos tupamaros. Uma de suas grandes aventuras foi o fato de ter saído de Porto Alegre para cobrir a Guerra do Vietnã e, ao descer em Roma, para pegar o visto, ter mudado de rumo para cobrir a Guerra dos Seis Dias.
Em 1967, pela primeira vez, a imprensa do Estado teve um jornalista no cenário que atraiu as atenções do mundo. Participou das entrevistas concedidas pelo presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, no Cairo, e pelo ministro da Defesa de Israel, Moshe Dayan, no dia 3 de junho, em Tel Aviv.