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Corporação estima um bombeiro a cada 2 mil gaúchos em cinco anos

Comandante da corporação explicou que meta foi estabelecida por instituições internacionais

Em Santo Ângelo, escada atinge apenas 30 metros
Em Santo Ângelo, escada atinge apenas 30 metros Foto : Rogério Sartori / Especial / CP
A deficiência de efetivo e de equipamentos é admitida pelo comandante do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo. Porém, ele argumenta que há um esforço para suprir a demanda e projeta que, em cinco anos, haverá um bombeiro para cada 2 mil habitantes, meta estabelecida por instituições internacionais. “Estamos recebendo 300 novos. O edital já foi aberto para concurso”, afirma. Ele espera que, em maio do próximo ano, o grupo já esteja em atividade.

Com o reforço, a ideia é retomar o funcionamento de duas estações em Porto Alegre, passando de nove unidades em atividade para 11. O que deve incrementar o trabalho e melhorar as condições da corporação no Interior são os novos equipamentos previstos para o Estado.

Está licitada a compra de 20 caminhões completos para combate a incêndios. Do total, 13 serão entregues até o final deste ano. Além desses, três virão para a Capital. “Porto Alegre tem 11 caminhões em condições e, com os novos, chegará perto dos 15 necessários”, explica.

Outro equipamento que deve dar mais eficiência às ações é uma escada automática com 50 metros, equivalente a um prédio de 15 andares. Atualmente, a única viatura com esse equipamento alcança 30 metros, mas a que o Estado está adquirindo e que deve ser entregue à Capital será muito mais moderna.

A cidade também passou a contar com três conjuntos, cada um com quatro unidades, de almofadas pneumáticas. Outros dez kits serão destinados ao Interior. Esses colchões servem para levantar veículos e irão auxiliar resgates especialmente em acidentes. Conforme o comandante, os hidrantes estão em condições de uso em Porto Alegre, segundo vistoria.

Última viatura recebida em 2003 


O 7º  Comando Regional de Bombeiros, com sede em Passo Fundo, não recebe novas viaturas há 10 anos. A última unidade adquirida, em 2003, com recursos do Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros, foi um caminhão Iveco 2001. Segundo o comandante, tenente-coronel Jorge Reginaldo Petersen Morais, a unidade possui seis viaturas — caminhões-tanques e autotanques, fabricadas entre 1976 e 2001.

A unidade conta com uma autoescada de 1971 e uma escada mecânica de l958, doadas pelo governo da Alemanha, com capacidade de atingir o oitavo ou nono andar de prédios. Segundo ele, a escada mecânica ainda funciona, mas é usada em casos de extrema necessidade. O tenente-coronel afirma que o município necessita de uma plataforma especial com maior alcance. Com isso, a principal arma usada pelos bombeiros é a prevenção. Ele garante que os prédios contam com planos de prevenção.


 Defasagem em Santo Ângelo chega a 40%

O 11º Comando Regional dos Bombeiros, com sede em Santo Ângelo e que abrange ainda seis frações localizadas em São Luiz Gonzaga, São Borja, Itaqui, Santa Rosa e Giruá, com atuação em 39 municípios, possui uma defasagem de pessoal que chega a 40%. Conforme o comandante, major Eglacir Joel de Oliveira Chaves, o número previsto de bombeiros é de 225.

O quartel de Santo Ângelo é considerado um dos mais bem equipados da região das Missões. Existem quatro caminhões de combate a incêndio, um caminhão aeródromo que atende ao aeroporto, um caminhão com escada mecânica e mais uma viatura de resgate. O último veículo zero quilômetro repassado pelo governo do Estado foi em 1959. Trata-se de Ford F600, com capacidade de 3 mil litros de água. O caminhão repassado na década de 1980 já era usado.

Há 10 anos, os bombeiros de Santo Ângelo ganharam dois caminhões da Alemanha. Um é de combate a incêndio e outro com escada mecânica de 30 metros. Ambos com 30 anos de uso. No final do ano passado, o Ministério Público do Trabalho doou um caminhão zero quilômetro, com taque de 5 mil litros, vazão de 500 galões/minuto, mangueiras e esguichos. Segundo o major, a falta de equipamentos só não é maior porque existe no município um fundo. O dinheiro provém de taxas de inspeção dos bombeiros.

Em Erechim, foco na prevenção

De acordo com o comandante do Subgrupamento de Combate a Incêndio (SCI) de Erechim, major Alexandre Bittencourt, 98% dos prédios da cidade foram construídos obedecendo às normas de prevenção contra incêndio, entre as quais, saídas de emergência para quem estiver no interior das construções e existência de escadas protegidas ou à prova de fogo e fumaça para acesso dos bombeiros ao interior das edificações. A cidade conta 56 hidrantes públicos, mas só 16 são considerados em perfeitas condições. Bittencourt revela que, desde maio, as obras de ampliação da sede da SCI foram finalizadas. Passou a contar com um reservatório com capacidade para armazenar 150 mil litros de água captada da chuva.

Os bombeiros de Erechim se desdobram e fazem um esforço desmedido para atender a 38 municípios — 32 no Alto Uruguai e seis no Médio Alto Uruguai. São 67 homens. Na sede ficam 34. Outros 18 atuam no destacamento de Getúlio Vargas e 15 na unidade de Nonoai. O SCI, de Erechim, possui três autobombas-tanque com capacidade de 4 a 5 mil litros cada um e um autotanque, que armazena 13 mil litros. Dispõe ainda de uma escada hidráulica com potencial para atingir até 30 metros de altura. A vida útil das viaturas, adquiridas por meio de Consulta Popular, está em 10 anos. Os bombeiros de Getúlio Vargas dispõem de dois autobombas-tanque de 4 e 5 mil litros e os de Nonoai, apenas um autotanque de 7 mil litros.

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