Além desses problemas já comuns, um novo se soma: a demora na definição quando ao modelo de gestão que as rodovias — estaduais e federais — irão adotar após a decisão do governo estadual em terminar os contratos de pedágios com as concessionárias, em resposta aos anseios da comunidade gaúcha. Essa demora fez com que, por alguns meses, diversos trechos de várias rodovias importantes ficassem sem atendimento e as comunidades se sentiram sem saber a quem recorrer. A situação das rodovias nas diversas regiões no Estado, bem como as expectativas das comunidades e usuários, será abordada pelo Correio do Povo em série.
Cratera na BR 471, em Rio Pardo
Um buraco que toma toda a pista da BR 471, no sentido Santa Cruz do Sul-Rio Pardo, nas proximidades do Parque da Expoagro Afubra, em Rincão Del Rey, no município de Rio Pardo, é motivo de grande preocupação da comunidade e usuários da via. A apreensão das autoridades da região aumenta ainda mais, na medida em que muitos outras crateras e buracos menores vêm surgindo no asfalto e até mesmo na ponte sobre o rio Jacuí, em Rio Pardo. Os fatos acenderam a luz de alerta nos últimos meses em relação às condições do trecho da BR 471 entre os município de Santa Cruz do Sul e Pantano Grande.
Os primeiros buracos surgiram no trevo principal de Rio Pardo no mês de julho. Sem ter a quem recorrer diante da demora para a formalização do retorno da rodovia para a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) devido à prolongada greve dos servidores do órgão, um grupo de moradores da cidade se reuniu no final de julho e tapou com cimento, brita, areia e água as crateras no asfalto. Os três sacos de cimento e demais materiais foram doados por empresas e voluntários do município, preocupados com os riscos de acidentes e a falta de perspectivas sobre as obras por parte dos órgãos responsáveis pela rodovia.
No local houve reparos no asfalto pouco antes do fim do contrato com a Santa Cruz Rodovias, mas o tamanho da cratera agora aumenta a cada dia e os motoristas desviam pelo acostamento ou pela pista contrária. A situação do asfalto da BR 471 também é precária no trecho da área urbana em Santa Cruz do Sul. Outra preocupação se relaciona ao aumento da deterioração na ponte sobre o rio Jacuí, em Rio Pardo. Em alguns pontos até os ferros aparecem com o desgaste do concreto da pista. O delegado do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs) no Vale do Rio Pardo, Júlio Gartner, afirma que o trecho da BR 471 entre Santa Cruz do Sul e Pantano Grande já não pode ser mais classificado nem de regular, pois não houve manutenção depois da desativação do pedágio em Rio Pardo, no final do mês de junho.
Impasse leva a operações tapa-buracos
A luta de diversos segmentos do Vale do Rio Pardo para melhorar a qualidade das principais estradas da região ganhou nova dimensão nos últimos quatro meses. Enquanto antes a mobilização se concentrava em torno da necessidade de duplicação da RSC 287 entre Tabaí e Candelária e a construção de um viaduto na área do Trevo do Fritz e da Frida, desde julho as condições do asfalto causam apreensão. Os problemas começaram devido ao impasse que culminou no fim do contrato com as empresas concessionárias privadas e o repasse para a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) de trecho entre Tabaí e Novo Cabrais.
A demora na definição sobre a administração do trecho culminou com mais crateras e, na sequência, com a execução de operações tapa-buracos emergenciais. Isso transformou a rodovia em uma colcha de retalhos em diversos trechos. Os maiores problemas são entre Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul.
O delegado do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs) no Vale do Rio Pardo, Júlio Gartner, considera a situação preocupante. “Com a cobrança de pedágio, a estrada deveria ser melhor. Mas a pista é muito irregular e causa um ruído enorme no carro ao rodar no pavimento”, observa.
A situação da rodovia chegou a ser motivo de protestos de motoristas que transportam universitários para Santa Cruz do Sul. No início de outubro, os manifestantes paralisaram a RSC 287 em Travessa Rabuske, no interior de Santa Cruz. Em setembro, os condutores interromperam o trânsito por 35 minutos no pedágio de Venâncio Aires. No mesmo mês, a Promotoria de Venâncio Aires ingressou com ação na Justiça pedindo que a cobrança da tarifa fosse suspensa até que a EGR retomasse os serviços de guincho e ambulância. Depois de o juiz João Francisco Goulart Borges negar o pedido, o Tribunal de Justiça suspendeu, no dia 21 de outubro, por tempo indeterminado, a cobrança da tarifa no local até que fossem retomados os serviços.
O socorro vem sendo realizado pelo Corpo de Bombeiros e Samu. O serviço de guincho foi retomado no dia 21 de outubro por meio de convênio com o Detran. O início da recuperação do asfalto ainda aguarda definição.
“Eternos” trabalhos na BR 472
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários Internacionais, Jorge Frizzo, considera que o trecho da BR 290 que liga Uruguaiana a Alegrete tem boa situação de trafegabilidade. Mas o corredor do Mercosul, a BR 472, que liga Uruguaiana a São Borja em um dos troncos e a Barra do Quaraí em outro, encontra-se em más condições e passando pelas “eternas” obras de restauração. Segundo Frizzo, há buracos, falta de sinalização e trechos perigosos em brita.
Falta de manutenção na RSC 471
Sem manutenção regular, o delegado do Setcergs no Vale do Rio Pardo, Júlio Gartner, teme pelo futuro da RSC 471 entre Pantano Grande e Canguçu. Pela estrada, todos os anos há o escoamento de 25 mil contêineres de tabaco ao porto de Rio Grande. Após a conclusão da RSC 153 entre Santa Cruz e Barros Cassal, em dezembro de 2010, o movimento de caminhões aumentou ainda mais.
Dnit garante início dos trabalhos
Segundo o Dnit/RS, a empresa que fará a manutenção dos 47 km da BR 471, entre Santa Cruz do Sul e Pantano Grande, foi escolhida por licitação. Os trabalhos ainda não se iniciaram, pois a vencedora da concorrência não entregou a documentação necessária. O departamento chamou a segunda colocada. Com contrato de dois anos, a Conterra manterá uma equipe na região, com início previsto para breve.