A Corsan precisa investir cerca de R$ 10 bilhões para cumprir as metas do novo marco legal de saneamento. Esta foi a afirmação do diretor-presidente da Companhia Riograndense de Saneamento, Roberto Barbuti, ao falar sobre “Os impactos do novo marco do saneamento”, tema da 21ª edição da Lide Live, que teve como mediador o presidente do Lide RS, Eduardo Fernandez e foi transmitida de forma virtual na noite desta quinta-feira.
De acordo com Barbuti, o objetivo é ajustar os contratos às exigências do novo marco legal do saneamento, que determina a universalização dos serviços de água e esgoto até o ano de 2033. Ele destacou que a Corsan atingiu a universalização do fornecimento de água, mas salientou que é necessário melhorar o índice atual de 17% de coleta e tratamento nos municípios atendidos pela empresa.
“Não foi por acaso que o novo marco de saneamento foi aprovado. Ele é fundamental no planejamento da Corsan. Nossa missão é cumprir o que determina a lei 14.026 até 2033”, afirmou Barbuti. “A meta da Companhia é alcançar o índice de 99% da população com água potável e de 90% para coleta e tratamento de esgoto, dentro deste prazo”, ressaltou Barbuti.
O diretor-presidente afirmou que a universalização dos serviços de água e esgoto é um tema antigo, e que a aprovação do novo marco legal de saneamento foi fruto do sentimento e da mobilização da sociedade. Roberto Barbuti destacou ainda que novo marco determina também a necessidade de comprovação econômica para o cumprimento das metas até 2033.
Segundo o dirigente, o prazo não deve ser estendido e será necessário um investimento anual superior a R$ 1 bilhão para atingir a universalização no prazo legal. “O novo padrão exige rigor no cumprimento das metas e maior velocidade de investimentos. Com a escassez das fontes de recursos públicas, estamos procurando alternativas para captar recursos e cumprir as metas”, afirmou o diretor-presidente, lembrando que em 2020 a Companhia bateu recorde de investimentos, com R$ 417 milhões. “Foi o maior volume da história, superando a média anual, de R$ 300 milhões”, destacou.
Durante o debate, Barbuti afirmou que a Corsan pretende destravar também o potencial imobiliário das regiões com limites de expansão no Litoral Norte, que não têm ainda a previsão do tratamento sanitário de esgoto. Ele também lembrou que a empresa precisa superar o volume de dívidas trabalhistas, que em média resultam em um pagamento anual da ordem de R$ 200 milhões.
Ao falar sobre a transferência do controle acionário da Corsan à iniciativa privada, anunciada pelo governador Eduardo Leite, Barbuti destacou que o Estado deixará de ser o controlador da empresa, para se tornar o acionista de referência. “Haverá uma diminuição do controle do governo na Corsan. Com isso teremos uma empresa capitalizada e com entrada de recursos, como uma sociedade de economista mista”, destacou.