Segundo a moradora Anelise Goulart de Souza, o pedido para a retirada das árvores já havia sido negado em 2007, justamente por serem centenárias. “Há uma lei estadual, 9519/1992, artigo 33 e 34, que proíbe a retirada delas por oferecerem riscos. E essa norma não estaria sendo seguida para facilitar a vida das grandes empresas que virão para cá”, alegou.
De acordo com Milena de Souza, para que o empreendimento tivesse início, além do corte das árvores deveria ser feita uma consulta popular para avaliar a poluição e o abalo estrutural que as obras trarão. No entanto, segundo ela, nada teria sido feito neste sentido, contrariando a forma correta de realizar obras no município. “Sei de várias empresas que tentaram se instalar aqui e não conseguiram, justamente porque não seria possível limpar o terreno e ficar indiferente às arvores. Agora, estranhamente, tudo mudou."
Conforme as moradoras, em 2007, o pedido para a retirada foi negado pela bióloga do município, para respeitar a lei existente. Ainda assim, neste mês, a mesma profissional, que está em licença maternidade, assinou a Anotação de Responsabilidade Técnica em nome da empresa responsável pela limpeza do terreno. Sílvio César Schimitt, sócio-proprietário da construtora, acompanhou a retirada das árvores e explicou que não há nada de ilícito na ação.
Para ele, o projeto, criado por geólogos, arquitetos, engenheiros e uma bióloga contempla todas as necessidades previstas em lei. “Minha esposa é bióloga da prefeitura, mas está licenciada, portanto, nada impede que ela me auxilie. Sou pago para realizar esse trabalho, aprovado pela prefeitura, tudo dentro da lei, já que é uma poda necessária para levar os vegetais a outras propriedades. Faltou informação por parte dos reclamantes”, argumentou.
Secretário de Desenvolvimento Econômico de Viamão, José Roberto Cardoso, esclarece a polêmica ao revelar que a bióloga não tem contrato de dedicação exclusiva com a prefeitura, por isso, pode trabalhar na iniciativa privada. Além disso, no pedido anterior, a profissional estava em outro setor da prefeitura. Portanto, não houve conflito de interesses, como sugeriram os moradores. "De qualquer forma, não há nada de errado com a poda das árvores, pois serão transplantadas para outro lugar não extinta. Além disso, tudo está licenciado e legalizado. Em 2007, houve outra avaliação porque era outro profissional avaliando o caso", ponderou.