Sem gás, que teve o fornecimento cortado em junho, as refeições passaram a ser preparadas em um pequeno fogareiro. Para piorar, mesas, cadeiras e estantes foram retiradas - sem autorização, segundo as voluntárias - por servidores da Fasc há uma semana e levadas para a futura sede da cozinha, que não tem data para ser inaugurada. Na ocasião, a geladeira foi desligada e a comida guardada teve de ser jogada fora. A prefeitura alega que a arrecadação de alimentos caiu, mas diz que a gestão da cozinha deve ser da comunidade.
A situação da Restinga não é uma exceção. Das 20 cozinhas comunitárias criadas desde 2004, muitas sequer funcionam. As que permanecem abertas sofrem com a falta de alimentos.
Os representantes do Fórum Fome Zero, que conta com 44 núcleos no município, reclamam que as remessas se tornaram escassas nos últimos três anos. "Às vezes nem vem nada, ou então vem só feijão e arroz", afirmou a coordenadora da entidade, Ana Maria Aquino. Oito núcleos teriam recebido as cestas básicas em julho, após três meses sem nenhuma remessa da Fasc. Cada cesta, segundo Ana Maria, possui um quilo de arroz, 500 gramas de massa, dois pacotes de leite, um achocolatado e um pacote de biscoitos - quantidade insuficiente para atender a demanda. "São famílias em péssimo estado, em situação social de miséria", salientou.
Sem alimentos, os voluntários que atuam nas cozinhas são cobrados por moradores. "As lideranças comunitárias ficam a mercê da revolta do povo", disse a presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Sustentável, Eliete da Rosa.
Há duas semanas, a coordenação do Fórum Fome Zero aproveitou a vinda da ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, à Capital para solicitar providências. Entregaram-lhe um documento reivindicando, entre outras medidas, a implementação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), criado oficialmente por decreto do então presidente Lula, em agosto de 2010.