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Cpers/Sindicato se recusa a dialogar, diz secretário

Ervino Deon afirma que recebeu com surpresa o anúncio de greve do magistério

O secretário estadual da Educação, Ervino Deon, em entrevista à Rádio Guaíba, nesta quinta-feira, disse que recebeu a notícia da greve do magistério com surpresa. "Causa estranheza a forma como foi feita e necessidade alegada para a paralisação". O argumento do Cpers/Sindicato de que não houve diálogo entre o governo e a classe é contestado pelo secretário. "A categoria sempre se recusou a participar do debate", disse. Deon afirmou que recebeu por duas vezes a representação sindical. "Jamais foi solicitada a discussão. Eles disseram: 'nós discordamos dessas propostas, não queremos ficar discutindo', mas era a oportunidade de dizer qual ponto eles não aceitavam e o que poderia ser incluído no projeto", explicou o secretário.

Sobre o ponto dos servidores que entrarem em greve, Deon afirmou que "o gestor tem que aplicar o que está na Legislação para quem deixa de comparecer ao serviço". "É um momento de responsabilidade nossa, estamos abertos para conversar", completou.

O professor informou ainda que são 79 mil educadores na ativa no Estado. E que o governo vai fazer o possível para encontrar saídas para que seja concluído o ano letivo. "Como fizemos com a Gripe A e a chuva vamos evitar transtornos no final de ano, contamos com o bom senso", disse.

Deon ressaltou que, de acordo com a proposta, nenhum professor receberá menos de R$ 1,5 mil. "Estão dizendo que a partir disso vai congelar o salário, mas não é verdade, o teto pode ser ajustado a qualquer momento", esclareceu.

A presidente do Cpers/Sindicato, Rejane Oliveira, afirmou, em entrevista ao Portal Correio do Povo na manhã desta quinta-feira, que não há previsão para o término do ano letivo de 2009. A paralisação dos servidores do ensino público estadual terá início na próxima terça-feira, dia 15.

De acordo com Rejane, ainda não foi feito um estudo sobre as alterações no calendário escolar em função da paralisação. "A maioria das escolas deveria terminar suas aulas no começo de janeiro, mas vamos estudar como as aulas serão recuperadas só no fim da greve", afirmou. A presidente acredita que a adesão dos professores deva ser alta, já que, segundo ela, a proposta que será votada pela Assembleia Legislativa afeta o plano de carreira, uma das conquistas históricas da categoria.

Rejane explicou que está descartada a possibilidade de acelerar o ensino das disciplinas para que as aulas terminem até dia 15.