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Crianças do projeto Salva-vidas Mirim “puxam as orelhas” dos pais

Curso tem duração de cerca de duas horas e é ministrado à beira-mar

Crianças do projeto Salva-vidas Mirim puxam as orelhas  dos pais
Crianças do projeto Salva-vidas Mirim puxam as orelhas dos pais Foto : Operação Golfinho / Divulgação / CP
O aumento de 16,25% no número de salvamentos no litoral gaúcho neste veraneio faz com que um projeto lançado há 13 anos pela Brigada Militar tenha um significado ainda maior. O “Salva-vidas Mirim” orienta crianças, de cinco a 12 anos, sobre os perigos de desafiar o mar, além de dar dicas de prevenção às drogas e à violência. Crianças com idade abaixo de 5 anos também são aceitas, desde que estejam acompanhadas pelos pais ou irmãos.

O projeto pretende diminuir o número de afogamentos a médio e longo prazo. No entanto, o impacto é bem mais imediato. Em alguns casos, as crianças que participaram do projeto “puxam as orelhas” dos pais quando eles se excedem no mar.

Nesta temporada, desde o último dia 6 até a tarde deste sábado, 933 menores já haviam participado do projeto. O “Salva-vidas Mirim” continua até o final da temporada. Em média, participam da atividade de 50 a 60 crianças por edição.

Desde 1998

O programa teve a sua primeira edição em 1998, quando a Brigada Militar detectou a necessidade de orientar as crianças quanto aos perigos do mar. Este ano, o projeto é coordenado pela capitã Karine Pires Soares Brum, 31 anos. Sem filhos, a oficial participa do Proerd (programa de prevenção às drogas, da Brigada Militar), em Lajeado, onde é lotada. De acordo com ela, o mote do “Salva-vidas Mirim” é a prevenção primária. Ou seja: evitar que o acidente ocorra antes mesmo da criança tenha a curiosidade de “desafiar” o mar e, com isso reduzir os índices de resgates no mar. “Quem trabalha com esse programa tem que ter paciência e gostar de crianças”, ensina a capitã. “Além dos dois requisitos, ainda tenho o lado pedagógico, oriundo do Proerd”.

O curso tem duração de cerca de duas horas e é ministrado à beira-mar, em um ambiente descontraído, com maquetes e bonecos de brinquedo, que mostram a topografia do oceano e os locais onde as pessoas mais correm riscos de se afogar. É um curso que tem uma metodologia e uma didática que mescla teoria e brincadeiras.

As crianças também aprendem o significado das bandeiras, têm noções de salvamento e primeiros socorros. “Começamos com uma noção rápida de ordem unida e, em seguida, salientamos a importância do trabalho dos salva-vidas”, disse a capitã Karine, que está em seu primeiro ano de Operação Golfinho. “Também falamos sobre prevenção de drogas e á violência”, explica a oficial.

Formatura

Após um salva-vidas falar sobre os perigos de desafiar o mar e passar noções de como aproveitar o veraneio na orla com segurança, é feita a aula prática, com uma simulação de afogamento. Nesse estágio, salienta Karine, a participação das crianças é opcional. “O ponto alto é como se fosse uma formatura”, ressalta a oficial. “Cada um dos participantes recebe um certificado”.

De acordo com a Brigada Militar, o projeto aproximou a comunidade da instituição. Para o contingente envolvido no programa, somente educando as crianças é que será possível diminuir gradativamente o elevado número de afogamentos no Litoral gaúcho. Desde o início da Operação Golfinho, em 18 de dezembro, até o momento, já são seis mortes confirmadas.


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