O temporal que atingiu o Estado na tarde de terça-feira foi sentido com mais intensidade no Litoral Norte. De Cidreira até Torres, escolas e prédios públicos foram destelhados e tiveram os vidros das janelas quebrados. O caso mais grave ocorreu em Cidreira, com o dasabamento de uma parte da escola Ildo Meneghetti, deixando 33 crianças feridas, a maioria sem gravidade.
Cerca de seis horas após o dasabamento da escola, uma garota esperava no posto de atendimento médico do município para ser transferida para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), em Porto Alegre, com suspeita de traumatismo craniano. Outras duas alunas foram removidas ao Hospital da Ulbra, em Tramandaí. O restante foi medicado e liberado.
O aluno da 5ª série do Ensino Fundamental, Jader Souza, 13 anos, era um dos que estava em sala de aula na hora que as paredes ruiram, na Ildo Meneghetti, situada no bairro Zona A. O garoto lembrou os momentos de terror que passou junto com os colegas. A turma recém tinha entrado na sala de aula, por volta das 13h30min. Neste instante começou a ventania e eles foram fechar as janelas. Não tiveram tempo. O telhado e as paredes começaram a cair. "Foi um susto enorme, com todo mundo gritando e correndo para todos os lados", lembrou Jader. "Tive sorte que a parede caiu em cima da classe, ficando escorada e isso me salvou", acentuou ele, mostrando a fratura que sofreu no pulso direito.
Efeito devastador
Em cidades como Tramandaí, Capão da Canoa e Xangri-Lá a tempestade também causou estragos, mas sem vítimas. Em Tramandaí, a força do vento destelhou a prefeitura, o fórum e escolas. De acordo com o vice-prefeito de Tramandaí, Juarez Marques, o vento e a chuva começaram por volta das 13h30min, mas se concentraram em uma espécie de corredor, atingindo em sua maioria os prédios mais altos. Nem mesmo as forças que prestam apoio à comunidade nessas horas foram poupadas: os prédios do Batalhão Ambiental e do quartel da Brigada Militar também tiveram seus telhados arrancados, iguais a vários quiosques.
Marques contou que estava chegando na prefeitura quando o ciclone começou. O vice-prefeito afirmou que foi um dos piores momentos de sua vida, pois o carro parecia que levantaria voo e as janelas do veículo trepidavam. A muito custo ele saiu do automóvel e entrou no prédio da prefeitura, situado na rua da Igreja. Lá dentro a cena não era melhor. A força dos ventos quebraram as janelas do térreo, segundo e quinto andares do prédio. No quinto andar, inclusive, o telhado foi arrancado e a antena parabólica foi entortada. Prédios residenciais também sofreram abalos, com os vidros das janelas sendo quebrados. "Só vi cenas como estas em filmes", disse Marques. "Nunca tinha passado por um momento assim, antes".
Em Xangri-Lá, a escola municipal de ensino infantil Lobinho Guará, que atende crianças de zero a seis anos, foi um dos locais atingidos pelos ventos. O telhado do pátido do colégio desabou, deixando o local com uma cena de bombardeio. O prefeito da cidade, Delso Barbosa, foi até a escola para ver o que poeria ser feito. As aulas no Lobinho Guará, situado às margens da RS 407, no bairro Guará, estão suspensas. Barbosa salientou que será estudada uma maneira de continuar com o atendimento. Como todos os prédios públicos do município têm seguro, ele será reconstruído, enquanto isso, a possibilidade é de locar um outro prédio para as aulas continuarem. "Nunca vi nada igual", salientou o prefeito. "E foi algo muito estranho, pois veio de uma hora para outra e durou cerca de 15 minutos e depois passou".
Crianças relatam momentos de terror em Cidreira
Escola desabou e feriu 30 durante temporal. Veja fotos dos estragos no Litoral Norte