O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu hoje, em Porto Alegre, durante o I Congresso Estadual de Educadores do PDT, uma ampla reforma no ensino brasileiro. "A União tem que assumir o regramento e o financiamento da Educação Básica, deixando que prefeituras e estados apenas gerenciem o sistema", frisou. Na condição de ex-ministro da Educação, Buarque também atribui ao governo federal a obrigação de custear os salários dos professores. "Precisamos estabelecer um salário único nacional, aos moldes dos valores pagos em Brasília: R$ 4 mil", assinalou. O senador disse ainda que é necessária a adoção de política pública que resulte na remodelação da totalidade dos prédios escolares públicos, incluindo a aquisição de equipamentos que resultem na qualificação do aprendizado, além da implantação de horário integral.
"A descentralização é o caminho, desde que estados e municípios cumpram as metas federais", frisou. Buarque acredita que somente desta maneira será possível assegurar a educação como prioridade de governo. O senador afirmou que não é possível seduzir as crianças ao aprendizado com emprego exclusivo de "quadro negro e giz". "Na atualidade, quem conquista vaga no mercado de trabalho não é quem chega primeiro na fila, mas quem tem qualificação", advertiu. Segundo ele, é preciso que as salas de aula sejam atrativas e, de fato, contribuam para o processo educacional. "Os supermercados, os bancos, os hospitais e as casas lotéricas aderiram à modernização nesses últimos anos. Já as escolas continuaram estacionadas", lamentou.
O senador salientou que os instrumentos disponibilizados aos educandos "não convencem". "Sou professor da Universidade de Brasília e outro dia descobri a Faculdade de Engenharia têm no currículo conteúdos do Ensino Médio", comparou. Buarque lamentou, ainda, o fato de o governo federal ter extinto a Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo. "Por conta de um equívoco imperdoável, o presidente Lula deixará de herança o mesmo número de analfabetos que herdou do governo FHC", enfatizou.
Outra crítica deve-se à substituição do Bolsa-Escola pelo Bolsa-Família. "Antes as mães diziam que recebiam o auxílio porque os filhos estavam na escola e, agora, atrelam o recebimento do benefício ao fato de serem pobres", afirmou. O senador acredita que a solução seria empregar os valores do Bolsa-Família em três programas distintos: o Bolsa-Família (destinado a idosos, enfermos carentes ou famílias cujos filhos não estejam em idade escolar), o Bolsa-Escola (para assegurar a manutenção de crianças e adolescentes em sala de aula) e o Bolsa-Emprego (oferta de trabalho pelo período de três para desempregados, com ganho mensal de um salário mínimo nacional). "Somente desta forma vamos combater as desigualdades", salientou.
Cristovam Buarque defende ampla reforma no ensino brasileiro
Ministro atribui ao governo federal a obrigação de custear os salários dos professores