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Defesa Civil remove famílias no Sarandi

DEP considerou a Zona Norte a situação mais grave de Porto Alegre após a chuva

Jovem grávida tenta atravessar a rua no bairro Sarandi
Jovem grávida tenta atravessar a rua no bairro Sarandi Foto : André Ávila
Enquanto milhares de pessoas enfrentavam dificuldades no trânsito, outras sofriam transtornos bem maiores na zona Norte de Porto Alegre. A Vila Asa Branca, no bairro Sarandi, que há dois meses foi atingida pelo estouro do dique, ficou novamente quase embaixo d’água. A Defesa Civil do Município concentrou esforços na localidade, auxiliando na remoção de famílias. Algumas foram encaminhadas à Paróquia Santa Catarina, localizada nas proximidades. A maioria deixou as casas sem conseguir salvar praticamente nada. Enquanto isso, outras famílias, mesmo com os conselhos dos bombeiros, não queriam deixar as suas residências, improvisando como foi possível para que a água não entrasse dentro das casas e destruísse os móveis e eletrodomésticos.

O Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) considerou a Zona Norte a situação mais grave de Porto Alegre após a chuva. “Foi a área mais afetada, porque a chuva não deu trégua. Há dois meses fizemos a dragagem de todo o Arroio Sarandi. Mesmo assim, o excesso de lixo que estava ali estrangulou o arroio”, disse o diretor do DEP, Tarso Boelter.
Pouco antes das 8h o arroio Sarandi, no cruzamento da avenida Sarandi com a Assis Brasil transbordou.

Rapidamente a água fez com que a rua desaparecesse, transformando num rio formado pela mistura de barro e lixo. Além de invadir quintais de casas e a entrada de empresas, a correnteza da água quase provocou a morte de uma motorista. A empresária, que não quis se identificar, havia buscado uma funcionária, quando o arroio transbordou e com a correnteza o veículo quase foi carregado para dentro do valão. Ela só conseguiu sobreviver, porque algumas pessoas que viram a situação conseguiram amarrar o veículo a um portão de ferro e retirá-la do carro. Apavorada, a mulher desabafou após o resgate: “Pensei que fosse morrer. Foi um horror”. Junto ao carro dela, outros dois estavam boiando com água até o capô. Outros moradores e funcionários olhavam incrédulos da força da correnteza do arroio.

Rapidamente a água invadiu as ruas laterais deixando pessoas presas dentro de casa e outras sem conseguir chegar ao trabalho, como foi o caso de José Carlos, que veio de Niterói, em Canoas, para a empresa, localizada na rua Araras, com a Sarandi. “É impossível atravessar”, avaliou, ao ver o nível da água que chegava na cintura. No mesmo momento, uma moça grávida de oito meses e uma senhora tentavam percorrer o percurso, saindo da rua até um local mais seco. “A água subiu rápido demais. Mas não tinha o que fazer. Precisávamos sair”, comentou a jovem grávida.

A pedido da Defesa Civil, a CEEE desligou a luz de cerca de 900 clientes nos bairros Sarandi e Nova Brasília por questões de segurança.

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