O Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) considerou a Zona Norte a situação mais grave de Porto Alegre após a chuva. “Foi a área mais afetada, porque a chuva não deu trégua. Há dois meses fizemos a dragagem de todo o Arroio Sarandi. Mesmo assim, o excesso de lixo que estava ali estrangulou o arroio”, disse o diretor do DEP, Tarso Boelter.
Pouco antes das 8h o arroio Sarandi, no cruzamento da avenida Sarandi com a Assis Brasil transbordou.
Rapidamente a água fez com que a rua desaparecesse, transformando num rio formado pela mistura de barro e lixo. Além de invadir quintais de casas e a entrada de empresas, a correnteza da água quase provocou a morte de uma motorista. A empresária, que não quis se identificar, havia buscado uma funcionária, quando o arroio transbordou e com a correnteza o veículo quase foi carregado para dentro do valão. Ela só conseguiu sobreviver, porque algumas pessoas que viram a situação conseguiram amarrar o veículo a um portão de ferro e retirá-la do carro. Apavorada, a mulher desabafou após o resgate: “Pensei que fosse morrer. Foi um horror”. Junto ao carro dela, outros dois estavam boiando com água até o capô. Outros moradores e funcionários olhavam incrédulos da força da correnteza do arroio.
Rapidamente a água invadiu as ruas laterais deixando pessoas presas dentro de casa e outras sem conseguir chegar ao trabalho, como foi o caso de José Carlos, que veio de Niterói, em Canoas, para a empresa, localizada na rua Araras, com a Sarandi. “É impossível atravessar”, avaliou, ao ver o nível da água que chegava na cintura. No mesmo momento, uma moça grávida de oito meses e uma senhora tentavam percorrer o percurso, saindo da rua até um local mais seco. “A água subiu rápido demais. Mas não tinha o que fazer. Precisávamos sair”, comentou a jovem grávida.
A pedido da Defesa Civil, a CEEE desligou a luz de cerca de 900 clientes nos bairros Sarandi e Nova Brasília por questões de segurança.
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