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Delegados da PF decidem manter indicativo de greve no RS

Categoria pretende paralisar as atividades durante dois dias na próxima semana

Cartazes indicando greve foram fixados em frente a Superintendência da Polícia Federal em Porto Alegre
Cartazes indicando greve foram fixados em frente a Superintendência da Polícia Federal em Porto Alegre Foto : Pedro Revillion
Delegados da Polícia Federal (PF) do Rio Grande do Sul decidiram manter o indicativo de greve e devem paralisar as atividades na segunda e quarta-feira da semana que vem. O sindicato da categoria no Estado esteve reunido nesta quarta-feira e definiu as datas do protesto. Operações previstas para esses dois dias serão suspensas, disse o vice-presidente da representação, Manoleto Souza da Cunha. No dia 22, em Brasília, a Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal definirá se entra em greve por tempo indeterminado em todos os estados do País. “A classe está unida e quando a Federação Nacional determinar a data de uma possível greve, vamos apoiar”, afirmou Cunha.

A categoria paralisou as atividades por 24 horas em todo o Estado e realizou somente serviços internos. O grupo pede reposição da inflação nos salários que recebem. Conforme Cunha, há seis anos não há correção nos valores. Um delegado em início de carreira recebe cerca de R$ 9 mil líquido (com os descontos oficiais: imposto de renda e previdência). A remuneração máxima líquida de quem está prestes a se aposentar não passa de R$ 13,5 mil, garantiu o dirigente. “Queremos ainda o reconhecimento da carreira”, sintetizou. A próxima reunião dos delegados está marcada para o dia 20, quando eles deverão parar novamente.

Cunha adiantou que a categoria cogita acionar o judiciário para alegar que é inconstitucional o decreto presidencial prevendo a substituição de servidores federais por estaduais e municipal. Segundo o delegado, a medida é uma afronta ao direito de greve. Para ele o governo vai usar a autorização para ocupar cargos durante paralisações com o objetivo de enfraquecer movimentos que reivindicam direitos.

Servidores administrativos aderem à greve da PF

Em greve há oito dias, os agentes da PF ganharam também o apoio dos servidores administrativos. Conforme a representante do Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal (Sinpecpf) no Rio Grande do Sul, delegada Cleuza Maria Silveira Menezes, a categoria sofre com grande êxodo de trabalhadores. Atualmente, representam cerca de 18% dos servidores da PF, sendo que para quatro policiais há um administrativo. Por isso, a classe reivindica a realização de concurso para a área e também a reestruturação da carreira e valorização salarial. A greve dos administrativos pode afetar o suporte à atividade policial e também serviços de atendimento ao cidadão, como emissão de passaportes, registro de estrangeiros e controle de entrada e transporte de produtos químicos em território nacional.

Com informações dos repórteres Karina Reif e Samuel Vettori

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