O secretário municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), Valter Nagelstein, afirmou que o órgão não pode ser responsabilizado pelo fato. "Não temos responsabilidade. Somos tão vítimas quanto a Agapan", frisou. Nagelstein esteve reunido ontem com servidores da Smic, na tentativa de descobrir a procedência do alvará entregue à empresa que ordenou a demolição. "O erro foi de uma pessoa que pegou e desvirtuou a finalidade do alvará", declarou. A presidente da Câmara Municipal da Capital, vereadora Sofia Cavedon, solicitou cópia do processo de concessão do documento que a empresa justifica ter para área localizada na esquina das avenidas Aureliano de Figueiredo Pinto e Praia de Belas. Ativistas da Agapan estiveram na sede da Smic, no bairro Bom Fim, e apresentaram pedido de providências para o ocorrido. "Tínhamos uma sede construída com telhado verde e onde desenvolvíamos testes de tijolo ecológico, feito a partir de argila", disse o conselheiro da Agapan, José Guilherme Fuentefria. Ele lembrou que a Agapan tem cessão de uso do terreno por 20 anos, a contar de 2002, expedido pela prefeitura. "Queremos providências o mais rápido possível, pois a sala que alugamos na avenida Protásio Alves teve sua posse solicitada para desocupação", disse o ex-presidente e conselheiro da Agapan, Celso Marques.
A Agapan é a primeira organização ecológica do Brasil e da América Latina. Cavedon avaliou que a empresa que ordenou a demolição "usou de má-fé, invadindo uma propriedade que estava cercada, com o portão de acesso cadeado, burlando inclusive contas de pagamento de luz e água, apresentando, para concessão do alvará, contas da CEEE e do Dmae." Segundo ela, a Smic concedeu alvará de funcionamento de uma pizzaria em um terreno de propriedade da prefeitura e que estava cedido por mais dez anos para uso da Agapan.