Os desabrigados foram recebidos na Escola Liberato Salzano Vieira da Cunha enquanto era concluída a avaliação no local e a limpeza das vias. As águas que provocaram a inundação no último sábado já baixaram e não foram constatados danos estruturais às moradias.
Ainda assim, conforme a Defesa Civil, se alguma família verificar problemas para retornar e isso for devidamente comprovado, as pessoas serão encaminhadas provisoriamente para o abrigo da Paróquia Santa Catarina.
A Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) está providenciando a entrega de alimentos e material de limpeza às famílias que estão sendo liberadas da abrigagem provisória. A previsão é que ainda nesta segunda-feira, todas as 73 famílias que ainda permanecem no abrigo retornem aos seus lares.
O rompimento do dique que represa o rio Gravataí, na madrugada de sábado, atingiu cerca de 700 casas no bairro Sarandi, segundo o secretário de Defesa Civil de Porto Alegre, Ernesto Teixeira. "É a maior tragédia de derramamento de água (em Porto Alegre) depois da grande enchente de 1941", avaliou Teixeira na ocasião. A Polícia Civil investiga a possibilidade de que o rompimento tenha sido criminoso. Segundo o titular da 22ª Delegacia de Polícia, delegado Omar Abud, após rumores que indicavam esta hipótese, um inquérito policial será instaurado para descobrir o que causou a ruptura.
Segunda-feira de limpeza
Os moradores da vila Asa Branca, uma das atingidas, usaram a segunda-feira para limpar a casa e contabilizar os prejuízos. Quem teve que abandonar a residência por causa do alagamento, somente no final do domingo conseguiu retornar ao seu lar. Nas calçadas, além da marca da água no meio dos muros, sofás, camas, armários, roupas empilhadas davam mostras dos prejuízos de cada morador.
A auxiliar administrativa Elisângela Barbieri nem foi trabalhar. Sua ocupação se deu com uma mangueira e uma vassoura, auxiliada por parentes, na rua 25 de Outubro. “O meu chefe me liberou para que eu pudesse arrumar a casa. Não ia adiantar nada eu ter de trabalhar com a cabeça aqui e nos meus cachorros. O Tiger, um Weimaraner, e o Brutus, um Rottweiler, precisaram ser retirados e levados para a casa da minha mãe. A água cobriu a casinha deles”, informou.
A dona de casa Livane Bandeira dos Santos, de 40 anos, lavava a cama no pátio da sua residência. “Perdemos o assoalho, que é de madeira e vai precisar ser trocado. Toda a nossa comida, roupas, o roupeiro, os armários de madeira, o sofá e as camas. Os carros que estavam na garagem estão com o estofamento encharcado. Quem vai pagar esse prejuízo?”, questionou.
Na rua 2 B, a dona de casa Rosângela Lima Tavares, 30 anos, colocava na calçada roupas, colchões, fogão e outros móveis perdidos por causa da água. Ela relutou antes de abandonar a residência. Desde a madrugada de sábado permanece de plantão para evitar saques. “Somos seis aqui em casa, sendo três são crianças. Quando vi que a água estava vindo, peguei as crianças e fui para a minha tia. Quando retornei, já estava tudo alagado. Fiquei de guarda por que tinha gente roubando. Perdemos tudo, menos a geladeira e a máquina de lavar”, comentou.
Com informações da repórter Karina Reif