A obra, que começou há uma semana, fica no km 24 da rodovia, entre Capela de Santana e Montenegro. Para que os funcionários da empresa Giovanella possam trabalhar, o trânsito foi bloqueado. As alternativas são três estradas de chão batido sem estrutura para receber o fluxo de veículos. Estreitos, esburacados e sem iluminação, no início das obras os desvios estavam empoeirados. Entretanto, após a chuva, o barro tomou conta do local e não demorou para que veículos pesados começassem a atolar, obstruindo a passagem.
Na manhã da última quarta-feira, oito caminhões ficaram atolados ao mesmo tempo. Um deles demorou mais de 12 horas para ser retirado do local. Além do transtorno, o motorista recebe multa de até R$ 250,00.
O Daer e a Giovanella argumentam que os veículos pesados causam os problemas. Com isso, a solução coube ao Grupo Rodoviário da Brigada Militar de Montenegro. O comandante do 3º Batalhão Rodoviário da BM, major André Feliú, precisou remanejar pessoal para ter efetivo no contato direto com os caminhoneiros. Os que se deslocam de Montenegro ao Vale do Sinos estão sendo parados e informados sobre alternativas, o que reduziu um pouco os problemas. Segundo Feliú, a melhor saída para veículos acima de 15 toneladas é usar a BR 386 (Tabaí-Canoas).
O diretor da Construtora Giovanella, Darci Giovanella, salienta que o transtorno ocorre porque os condutores não obedecem a sinalização, principalmente os veículos de carga. Por isso, a empresa propôs ao Daer, nesta sexta-feira, a colocação de limitadores de altura nos acessos aos atalhos no sentido Capela de Santana — Montenegro, para restringir a entrada de veículos como caminhões e ônibus no percurso exclusivo para carros e motocicletas. O Daer garante que estudará a proposta. A estratégia já foi usada nas obras do viaduto da Unisinos, na BR 116. Apesar da restrição, a estrutura foi derrubada inúmeras vezes por caminhões que tinham altura maior do que os 4,5 metros permitidos.
Para o prefeito de Capela de Santana, Wilson Capaverde, “a responsabilidade não é dos municípios e sim do Daer e da empreiteira”. Segundo ele, a prefeitura tem procurado melhorar as estradas. Pelo contrato, a empresa tem até seis meses para finalizar os trabalhos, mas a previsão inicial é de 50 dias.
Para fugir dos desvios, condutores estão utilizando a ERS 124 até São Sebastião do Caí, onde seguem pela ERS 122. Mas, para isso, precisam passar pelas pontes estreitas na localidade de Matiel e pela área central da cidade, o que tem irritado o prefeito Darci Lauerman. “Vamos continuar multando”, alerta Darci sobre a proibição do tráfego de caminhões pesados nas pontes e na área central. O aviso reforça a necessidade de veículos maiores optarem pela Tabaí-Canoas.