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Devido à paralisação, metade da frota da Carris circula na Capital

Servidores da companhia cruzaram os braços em protesto contra demissões por justa causa

Houve princípio de tumulto entre parte dos funcionários da Carris e Brigada Militar
Houve princípio de tumulto entre parte dos funcionários da Carris e Brigada Militar Foto : André Ávila
Nas primeiras horas da manhã desta terça-feira os ônibus da Companhia Carris Porto-alegrense (Carris) não circularam pelas ruas de Porto Alegre em protesto contra demissões por justa causa ocorridas nessa segunda-feira. Após as 7h, os primeiros coletivos começaram a sair da garagem na rua Albion, zona Leste da Capital. De acordo com o diretor-presidente da empresa, Sérgio Zimmerman, 50% dos veículos já operam nas vias. "Esperamos até o final da manhã estar com a frota completa", disse em entrevista à Rádio Guaíba.

Em razão da paralisação, as paradas de ônibus ficaram lotadas e os lotações foram autorizados pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) a circularem com passageiros em pé. O itinerário de ao menos sete linhas está sendo feito por outras empresas. A Unibus ficou responsável pelo trajeto do T3, T6 e T8. A Conorte realiza os roteiros do T1, T2 e T4. Já a linha T11 está sendo cumprida pelo consórcio STS.

No começo desta manhã, houve um princípio de tumulto entre parte dos funcionários da Carris e a Brigada Militar (BM). Segundo um integrante da comissão de funcionários, cobrador Edson Floriano Pereira, o acordo era liberar apenas 30% da frota para as ruas. "Já saíram dez carros além do combinado. A combinação era liberar apenas 30%. Não estamos aqui de palhaços", afirmou.

Fraude em bilhetagem eletrônica

Em nota divulgada nessa segunda-feira, a Carris confirmou ter dispensado cobradores que, segundo a companhia, fraudaram o sistema de bilhetagem eletrônica do transporte público. A ação ilegal é enquadrada como improbidade administrativa. A Carris vai encaminhar o caso ao conhecimento do Ministério Público Estadual, do Tribunal de Contas do Estado, da autoridade policial e promover, por meio da Procuradoria, uma ação de ressarcimento dos valores desviados. Alguns cobradores, segundo a empresa, desviavam até R$ 2 mil por mês.

De acordo com Zimmermann, a fraude funcionava de diversas formas, mas existiam duas práticas mais comuns. Uma delas consistia em obter o cartão TRI de um idoso. A partir daí, o cobrador recebia o dinheiro da passagem e ainda assim passava o cartão. Este tipo de fraude foi registrada 40 vezes em um dia em apenas um ônibus. Outra maneira de fraudar o sistema de bilhetagem era realizar a inversão da roleta na passagem gratuita.

Zimmermann afirmou que os processos são individuais e que não foram divulgados para o Sindicato dos Rodoviários. "Os documentos serão liberados apenas para os funcionários investigados e para seus advogados", avisou.

Investigação profunda

Sérgio Zimmerman afirmou que a investigação da Carris foi profunda e não soube informar se mais funcionários serão desligados. "Atualmente, o setor de operação conta com 1,5 mil servidores. Nós realizamos uma investigação mais detalhada sobre 90 pessoas e deste número chegamos aos 40 que foram afastados, por suspeita de fraude no sistema de bilhetagem, o cartão TRI", explicou.

Os funcionários afastados reclamaram que não tiveram chance de defesa. Segundo os trabalhadores, eles eram demitidos assim que chegavam à sede da Carris. Zimmerman minimizou a situação. "A comissão de sindicância foi formada por funcionários de carreira, que fizeram a investigação. Isso vem desde março. Eles terão toda chance de defesa agora. Nós vamos encaminhar os documentos ao Ministério Público do Trabalho e ao Tribunal de Contas para que eles busquem esta defesa. A legislação brasileira é bem clara", resumiu.

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