A proposta elaborada pela comissão criada para avaliar o sistema de cotas defende a ampliação de 30 para 40%, dos quais metade seria destinada a egressos do ensino público e o restante a autodeclarados negros. O Diretório Central dos Estudantes (DCE), porém, pede que o aumento seja para 50%. Os alunos querem ainda a desvinculação da questão social da racial, para que os negros tenham acesso à universidade através das cotas, independente de terem estudado em escolas públicas ou particulares.
Um dos coordenadores do DCE, o estudante de história Caio Dorsa, de 22 anos, diz que a Ufrgs ainda é limitada a uma pequena elite, por isso as medidas seriam uma forma de garantir o acesso de quem não conseguiria entrar de outra forma, em razão das desigualdades. Já o integrante do movimento DCE Livre, Renan Petro, de 22 anos, estudante de administração, acredita que os 30% de cotas atuais refletem a realidade social. Conforme ele, o que deve ser melhorado é a qualidade do ensino na Ufrgs.
Os alunos solicitam também que sejam excluídos do sistema de cotas os oriundos de escolas militares, que possuem ensino diferenciado e não são subordinados ao Ministério da Educação (MEC).
O reitor em exercício e presidente do Consun, Rui Vicente Oppermann,disse que também está em discussão a exigência de que apenas quem ainda não possui nenhuma graduação possa ter acesso à universidade por meio das cotas. "A universidade espera essa deliberação para finalizar o edital do vestibular de 2013. Se não houver um consenso hoje, uma nova reunião já está marcado para o dia 3 de agosto", fala.
A proposta também sugere a criação de uma Coordenadoria de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas, ligada à Pró-Reitoria de Coordenação Acadêmica. Com o órão, a intenção é de que os integrantes tenham autonomia para receber demandas dos cotistas, realizar o acompanhamento dos alunos e sugerir mecanismos de aperfeiçoamento ao Conselho Universitário.
Para concorrer às cotas sociais, os alunos devem ter cursado ao menos metade do ensino fundamental e todo o ensino médio em escolas municipais, estaduais ou no Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Os índios também devem ter 10 vagas anuais, sendo uma em cada curso previamente escolhido junto à comunidade indígena. Após aprovadas, as medidas terão validade pelos próximos 10 anos.