O secretário nacional de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, o médico gaúcho Alberto Beltrame, esteve presente nas ações da Mobilização Nacional de Combate ao Mosquito Aedes Aegypti na Região Metropolitana. Depois de participar da solenidade realizada no 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, em São Leopoldo, Beltrame percorreu algumas ruas de Porto Alegre e falou sobre os próximos passos na luta contra o mosquito.
Correio do Povo: Essa operação vai se estender ao longo dos dias?
Beltrame: Essa operação não se restringe a esse sábado. Foi feita uma grande mobilização no sábado, mas é uma ação contínua. O dia da faxina tem que se repetir constantemente. As pessoas devem cuidar de suas casas e de seus quintais. Dois terços dos criadouros estão dentro das residências. É fundamental a participação da sociedade, que no momento que cuidar da sua casa, ela estará cuidando da sua saúde e da saúde de seus vizinhos.
Correio do Povo: A presença das Forças Armadas mostra que é uma guerra contra o mosquito?
Beltrame: É uma guerra, sim senhor. É uma batalha sem quartel, sem trégua, sem fronteiras e sem esmorecer. É uma tarefa diária e a grande motivação é plantar no seio da comunidade a preocupação de cuidar da sua casa e de seu quintal.
Correio do Povo: Ao mesmo tempo, a presença das Forças Armadas transmite à população mais segurança?
Beltrame: Com certeza. Exército, Marinha e Aeronáutica dão uma credibilidade maior para os agentes chegarem às residências dos cidadãos, mostrando que o governo está empenhado em eliminar os focos do mosquito no país. A presença dos soldados traz mais segurança para as pessoas permitirem a entrada nas moradias.
Correio do Povo: Qual é a preocupação em relação ao larvicida utilizado no combate ao Aedes Aegypti depois da denúncia de um artigo argentino?
Beltrame: O inseticida mata a forma alada do mosquito. O larvicida combate a larva. O larvicida Pyriproxyfen foi criticado por uma relatório argentino de opinião. Ele não tem nenhuma fundamentação científica sobre a relação do produto com a incidência de microecefalia. O Ministério da Saúde ao liberar o larvicida para o uso em todo o país dá a garantia da Organização Mundial de Saúde da segurança desse produto. Um larvicida tem que ter duas qualidades: eliminar a larva e não oferecer riscos à saúde da população. O larvicida Pyriproxyfen é utilizado em criadouros, grandes acúmulos de água onde não é possível secá-los, como o chafariz e o espelho d’água da Redenção, e em casos excepcionais em cidades onde não se tenha acesso à água potável canalizada. Em casos de caminhão-pipa e cisternas, por exemplo, para tornar essa água livre de larvas. A dosagem é muito bem estabelecida para a utilização. É um quilo de larvicida serve para tratar 550 mil litros de água. Um grama é suficiente para tratar uma caixa d’água convencional de 500 litros. É uma quantidade pequena e bastante segura para o uso humano de acordo com os relatório da OMS, da Anvisa e com a recomendação do Ministério da Saúde. O uso do larvicida no RS é muito restrito porque o Estado tem um bom sistema de água tratada nos municípios.
"Dia da faxina tem que se repetir constantemente", alerta secretário de Atenção à Saude
Médico gaúcho Alberto Beltrame esteve na Capital no dia de combate ao mosquito Aedes Aegypt