O Brasil não possui um censo próprio da questão, mas estima-se que de 30 mil a 40 mil novos casos ocorram por ano. De acordo com o Educandário João Batista, especializado no atendimento há 79 anos, “não há estudos conclusivos, já que o total de casos depende de critérios de diagnóstico no sistema de saúde”. A avaliação é que existem muito mais casos, já que o Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece estrutura ideal para os cuidados pré e peri-natais.
A paralisia cerebral decorre de danos ao sistema nervoso central e, por conta disso, pode se desenvolver em várias formas de dificuldades. Elas variam de leves a graves, chegando à incapacidade de andar, falar e gerar toda uma dependência de cuidados.
O acompanhamento apropriado, contudo, pode ampliar em muito a qualidade de vida, como mostram os relatos das mães. “A melhor coisa é ver o resultado surpreendente que o Guilherme tem conseguido”, comenta a mãe, Rita. “Na hora do nascimento, o médico me falou que ele tinha apenas 1% de chances de sobreviver”, lembra, emocionada.
“O Educandário foi essencial na nossa vida. Com certeza tem uma enorme importância na evolução do estado físico e mental do Guilherme.” Ele faz fisioterapia no Educandário, mas evoluiu para novas conquistas. “À tarde ele frequenta a escola regular, na EMEF Anísio Teixeira”, destaca. “Hoje ele fala bastante, se comunica perfeitamente. É um menino muito querido.” O garoto gosta de jogar bola, mas principalmente adora as atividades na piscina. Em casa, é fanático por carros e gosta de assistir tudo sobre automóveis.
A instituição alerta que muitas famílias de baixa renda desconhecem o diagnóstico de seus filhos ou ainda não avaliam a gravidade da falta de acompanhamento desde o parto. “O Ministério da Saúde explica que o diagnóstico patológico de paralisia cerebral não é possível ao nascimento, mas um olhar atento considerando os fatores de risco são requisitos que devem nortear a família a ficar alerta ao desenvolvimento do bebê e assim buscar orientação médica quando está dificuldade for atestada”, enfatiza.
Um agravante para os cuidados dessas crianças são os critérios de auxílio para um tratamento que sempre é muito especializado e caro. “Dependendo da renda familiar, a única alternativa será buscar o auxílio de uma entidade filantrópica”, orienta o Educandário. “O Estado não dispõe gratuitamente de centros de reabilitação infantil. Para as famílias com maior poder aquisitivo, a situação não é mais fácil, afinal centros particulares – pagos, de reabilitação são raros ou inexistentes, tendo de recorrer individualmente a uma serie de profissionais caros.”
O resultado é que as crianças ganham em liberdade para interagir, brincar e aproveitar o que gostam, cada uma nos seus estágios da condição. Gustavo, 9 anos, filho da Franciele, consolidou sua paixão pelo futebol. “Ele narra tudo e vive olhando jogos. Gosta de fazer live após as partidas para comentar”, revela a mãe. “Agora ele abriu um canal no YouTube, faz análises técnicas. Tem Facebook, Instagram.” Segundo Franciele, já está virando um “influencer” no mundo digital. “Ele é muito ativo nas redes sociais. Cada live e vídeo tem, em média, mais de 100 curtidas e chegam aos 50 comentários”, cita, orgulhosa.
Campanha por tampinhas
O guri é um ávido divulgador de uma fonte de recursos importante do Educandário, o recolhimento de tampinhas plásticas de garrafas pet. No dia 22 de outubro, segunda-feira, a instituição vai realizar o “Pedágio Solidário”, em parceria com o Inter, num apoio da Brio. A torcida colorada está convocada a juntar as tampinhas e levar para entrega em postos de coleta no Beira-Rio, logo antes do jogo contra o Santos, pelo Brasileirão. Um dos estandes será na bandeira do clube e o outro perto da estátua do atacante Fernandão.
Desde que aderiu ao Tampinha Legal, o Educandário angariou mais de 20 toneladas de tampinhas revertendo mais de R$ 30 mil para sua causa social. “O Gustavo não fala de outra coisa. Faz as lives pedindo ajuda, dizendo para o pessoal ir no jogo. Ele está bem empolgado”, comenta Franciele. “Para nós, é importante que todos ajudem, pois é com essas tampinhas que conseguimos dinheiro para melhorar o Educandário.”
A entidade também aceita doações. Para mais informações, telefone em (51) 3246-5655 ou envie e-mail para educandario@educandario.com.br.