Geral

Dia de luta pelo fim da violência contra idosos

Agressões chocam porque, em geral, são praticadas por filhos e netos

Violência contra idosos tem aumentado na Capital
Violência contra idosos tem aumentado na Capital Foto : Antônio Sobral / CP Memória
Hoje, Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, é um alerta para uma realidade que vem crescendo. As pessoas dessa faixa etária ainda são vítimas de toda sorte de agressões. Segundo dados da Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso de Porto Alegre, a violência contra as pessoas que chegaram na dita "melhor idade" tem aumentado na Capital. No ano passado, de janeiro até maio, foram registradas 896 ocorrências, ante 944 em 2012, levando em conta o mesmo período. Casos que chocam pela violência que vem de pessoas que têm o dever de cuidar e zelar pelo idoso: filhos e netos.

De acordo com a escrivã de Polícia Najla Rodrigues, ao mês são registradas de 170 a 180 ocorrências. Os casos são de violência doméstica, maus-tratos, negligência e ameaças, tanto físicas como psicológicas, perpetrados por filhos (homens e mulheres) e netos. "Essa violência não se restringe apenas aos parentes. Os cuidadores agridem pessoas que não têm mais chance de se defender", comentou a escrivã. "E a violência psicológica também é muito praticada", completou.

Essa agressão ocorre quando o parente, via de regra o neto, é usuário de crack ou outro entorpecente. Para conseguir dinheiro e sustentar o vício, essa pessoa apela para ameaças se o idoso não entrega o cartão bancário ou dinheiro. Promete espancá-lo ou interná-lo em um asilo. Outros recorrem a socos e tapas. "A ameaça psicológica é muito forte", constatou Najla. "Muitas vezes, quando o idoso vem à delegacia, ele nega tudo, pois está com muito medo", relatou a escrivã. Os vizinhos são os que ajudam o idoso e também os que denunciam as agressões. Quando é comprovado o crime, é pedida medida protetiva. Por mês, na delegacia, são solicitadas de dez a 15 ações desse tipo.

A situação que mais choca a escrivã, apesar de considerar todas impactantes, é a de abandono. Os familiares se apropriam do dinheiro da vítima e a deixam só, sem cuidado algum ou alimentação, ficando a mãe ou a avó à mercê da própria sorte. Najla lembrou um caso ocorrido no ano passado, quando uma idosa de 75 anos foi abandonada pela família. Quando os policiais chegaram à residência da vítima, ela estava totalmente suja, junto com animais. "Do corpo da idosa saíam vermes", relembrou a escrivã. "Atualmente, ela está em um asilo e muito bem", disse Najla Rodrigues.

Além dessa tortura sofrida dentro de casa, o idoso também está sujeito a golpes aplicados por marginais que querem se aproveitar da sua fragilidade. Um deles é o do bilhete - um dos mais antigos -, que ainda faz as suas vítimas. Outro é quando ligam e dizem que há um seguro para a pessoa receber. Porém, para isso, o ganhador terá que depositar uma quantia preestabelecida em uma conta - aberta exclusivamente para isso. "O idoso deposita o dinheiro e não ganha nada", alertou a policial.

Para discutir essas situações, ocorre nesta sexta-feira, na Capital, o seminário "A violência contra o idoso - intervenção e prevenção", das 14h às 17h, no auditório do Sesc, com a participação de autoridades da área, como o titular da Delegacia do Idoso, Paulo Torres Machado, entre outros. O evento é aberto.


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