De acordo com a escrivã de Polícia Najla Rodrigues, ao mês são registradas de 170 a 180 ocorrências. Os casos são de violência doméstica, maus-tratos, negligência e ameaças, tanto físicas como psicológicas, perpetrados por filhos (homens e mulheres) e netos. "Essa violência não se restringe apenas aos parentes. Os cuidadores agridem pessoas que não têm mais chance de se defender", comentou a escrivã. "E a violência psicológica também é muito praticada", completou.
Essa agressão ocorre quando o parente, via de regra o neto, é usuário de crack ou outro entorpecente. Para conseguir dinheiro e sustentar o vício, essa pessoa apela para ameaças se o idoso não entrega o cartão bancário ou dinheiro. Promete espancá-lo ou interná-lo em um asilo. Outros recorrem a socos e tapas. "A ameaça psicológica é muito forte", constatou Najla. "Muitas vezes, quando o idoso vem à delegacia, ele nega tudo, pois está com muito medo", relatou a escrivã. Os vizinhos são os que ajudam o idoso e também os que denunciam as agressões. Quando é comprovado o crime, é pedida medida protetiva. Por mês, na delegacia, são solicitadas de dez a 15 ações desse tipo.
A situação que mais choca a escrivã, apesar de considerar todas impactantes, é a de abandono. Os familiares se apropriam do dinheiro da vítima e a deixam só, sem cuidado algum ou alimentação, ficando a mãe ou a avó à mercê da própria sorte. Najla lembrou um caso ocorrido no ano passado, quando uma idosa de 75 anos foi abandonada pela família. Quando os policiais chegaram à residência da vítima, ela estava totalmente suja, junto com animais. "Do corpo da idosa saíam vermes", relembrou a escrivã. "Atualmente, ela está em um asilo e muito bem", disse Najla Rodrigues.
Além dessa tortura sofrida dentro de casa, o idoso também está sujeito a golpes aplicados por marginais que querem se aproveitar da sua fragilidade. Um deles é o do bilhete - um dos mais antigos -, que ainda faz as suas vítimas. Outro é quando ligam e dizem que há um seguro para a pessoa receber. Porém, para isso, o ganhador terá que depositar uma quantia preestabelecida em uma conta - aberta exclusivamente para isso. "O idoso deposita o dinheiro e não ganha nada", alertou a policial.
Para discutir essas situações, ocorre nesta sexta-feira, na Capital, o seminário "A violência contra o idoso - intervenção e prevenção", das 14h às 17h, no auditório do Sesc, com a participação de autoridades da área, como o titular da Delegacia do Idoso, Paulo Torres Machado, entre outros. O evento é aberto.