A diarista Maria de Freitas, 59 anos, dedica algumas horas de sua vida, há exatos 18 anos, em benefício da natureza. Apaixonada pelos animais, ela visita o Largo dos Açorianos, que também abriga a histórica Ponte de Pedra, nas proximidades do Centro Administrativo do Estado, para alimentar pombas e peixes. “Criei esta rotina e, mesmo com chuva, não deixo de vir”, relata. Moradora do bairro Viamópolis, em Viamão, ela vem à Capital de dois em dois dias para “reencontrar os amigos que voam e nadam”.
Logo que deixa a avenida Borges de Medeiros e ingressa na rua Washington Luiz, as aves voam na sua direção, dando-lhe as boas-vindas. E, na sequência, formam uma espécie de “telhado” acompanhando o seu deslocamento até a Ponte de Pedra.
Maria normalmente caminha devagar, em razão do peso das três sacolas cheias de milho, quirela e pão. O banquete das pombas é servido em menos de 15 minutos. O alvoroço é tamanho que, em certos momentos, ela desaparece em meio à agitação das aves, faceiras com o alimento. Depois de saciar a fome de dezenas de pombas, ela segue para a margem de um lago artificial para alimentar os peixes. Basta lançar algumas migalhas de pão e um redemoinho se forma na água. “Eles comem rapidinho”, comenta.
A diarista costuma adquirir parte dos alimentos fornecidos às aves e peixes. O restante é doado por familiares e vizinhos. “Fico feliz quando estou em contato com os animais”, confidencia. Há 15 dias, porém, ela chorou ao chegar no Largo dos Açorianos, pois encontrou 60 pombas mortas por envenenamento. “Não compreendo o motivo de as pessoas matarem animais inofensivos”, diz. Ela afirma que, se tivesse condições financeiras, alimentaria os animais diariamente.
Diarista se dedica a cuidar de animais em Porto Alegre
Há quase duas décadas, mulher se desloca de Viamão para praça da Capital para alimentar pombos e peixes