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Direção renuncia e Hospital de Canela pode fechar as portas

Instituição de saúde tem dívida acumulada de R$ 5,4 milhões

O Hospital de Caridade de Canela (HCC) vive a pior crise financeira em 62 anos de história. Com uma dívida acumulada de R$ 5,4 milhões, a diretoria administrativa da casa de saúde, que tomou posse em 1° de setembro, renunciou ao cargo. O anúncio foi feito nesta quinta-feira e o conselho fiscal da entidade receberá a notificação oficial nesta sexta. Segundo o diretor presidente do HCC, Pedro Góis Viezzer, a decisão foi tomada após a direção verificar a inviabilidade da recuperação financeira da entidade.

Com salários atrasados, os médicos suspenderam as consultas eletivas ao meio-dia da última quarta-feira. Em média, são 140 consultas eletivas mensais. O valor repassado pelo SUS é de R$ 10. No entanto, o HCC paga R$ 150 aos médicos por cada consulta.

Conforme o diretor, o HCC acumula um déficit mensal de R$ 250 mil. “Em um mês, conseguimos economizar R$ 30 mil. No entanto, a dívida aumenta gradativamente há dez anos. Não é um problema da gestão anterior”, afirmou Viezzer.

De acordo com ele, o início do atendimento do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) aumentou as despesas do Hospital de Canela em R$ 225 mil. Em 18 de julho, foram contratados nove profissionais para atuar nos atendimentos de urgência. Porém, são repassados pelo governo estadual apenas R$ 20 mil para ressarcimento do serviço.

O presidente explica que o HCC solicitou um aporte financeiro de R$ 1,5 milhão ao município. No entanto, a administração municipal informou que não teria condições de atender a solicitação. “O grande problema é que temos a saúde plena em Canela. O maior cliente do hospital é o SUS, que representa 95% dos nossos atendimentos. Quanto mais atendemos, mais prejuízos temos”, observou.

Diretor quer ajuda do município

De acordo com Viezzer, fica inviável recuperar a casa de saúde sem o auxílio financeiro do município. “Não medimos esforços para salvar o nosso hospital. Sem o aporte de R$ 1,5 milhão, não conseguiremos reverter o quadro. Pedimos o auxílio, mas a prefeitura, que já repassou R$ 1,7 milhão ao HCC até agosto, alega não dispor do recurso.”

Segundo ele, o hospital não dispõe de crédito para comprar medicamentos e, em função dos atrasos nos impostos, também não pode solicitar empréstimos bancários. “Temos R$ 900 mil de impostos atrasados. Não conseguimos fazer empréstimos. Nosso único cliente é o município. No entanto, o valor repassado pelo SUS é insuficiente para cobrir as despesas”, frisou.

Viezzer observa, ainda, que foram interrompidos por falta de pagamento os serviços terceirizados de radiologia e tomografia: “São três meses de atraso e uma dívida de R$ 160 mil. Os laboratórios só prestam o serviço mediante pagamento antecipado”.

Prefeitura alega que não é responsável pela instituição

O diretor destaca que teme pelo futuro da entidade. Os membros da diretoria optaram por deixar os cargos para evitar que o possível fechamento da casa de saúde recaísse sobre sua responsabilidade. “Tentamos implantar uma gestão administrativa profissional. O hospital precisa de uma medida de impacto, que nunca foi tomada. Se o hospital vai fechar as portas, eu não posso responder. Torcemos para que a situação seja revertida. Se fechar, fica muito difícil para reabrir”, concluiu.

Em nota oficial, a Prefeitura de Canela informa que o HCC não pertence ao município e que faz os pagamentos de contratos conforme valores estabelecidos pelo Ministério da Saúde e normativos do SUS. O município observa que sempre foi sensível aos problemas financeiros enfrentados pela casa de saúde. “Não é da prefeitura municipal, tampouco do prefeito, a responsabilidade pela atual situação do HCC, não sendo aceitável que busque transferir para administração uma situação desfavorável e histórica, num momento crítico atual”, informa a nota.

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