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Diretor de Turismo de Porto Alegre vê como "positiva" gratuidade de cobrança para despachar bagagens

Luiz Armando de Oliveira diz, porém, que medida deve levar em consideração preços de passagens aéreas

Foto : Samuel Maciel / CP Memória

O projeto aprovado pela Câmara dos Deputados que prevê o retorno da gratuidade para despachar até 23 quilos de bagagem em voos nacionais e 30 quilos nos voos internacionais é bem visto pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SMDET) de Porto Alegre, sob determinadas condições. O diretor de Turismo da SMDET, Luiz Armando de Oliveira, chama a medida de positiva, “caso as empresas aéreas levem a medida em consideração quanto ao preço da passagem”. “Ainda mais neste momento em que as companhias estão retomando suas viagens nacionais e internacionais”, salienta.

A proposta, que passou pelo plenário por 273 votos a favor e 148 contrários na última terça-feira, irá agora para análise do Senado. Ela veio em forma de emenda à chamada Medida Provisória (MP) do Voo Simples, criada pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), que previa a extinção da cobrança. Em Porto Alegre, o diretor de Turismo ressalta que “quanto maior a facilidade e benefício ao turista, maior o incentivo em viajar”, e vem num momento, em sua avaliação, em que a cidade recebe eventos de caráter internacional, a exemplo do South Summit Brasil, que ocorre em maio.

No entanto, Oliveira afirmou que não estava acompanhando de forma direta o assunto, e disse que, pessoalmente, vê com ceticismo a proposta. “Ao retirarem esta taxa de bagagem de forma compulsória, as companhias adotarão medidas compensatórias, como o incremento nas tarifas. Parafraseando Milton Friedman, não existe almoço grátis”, disse ele. Uma das justificativas ditas pelos deputados para aprovar a proposta era que as empresas aéreas afirmaram que o preço das passagens diminuiria com a cobrança anterior da bagagem.

Isto, porém, acabou não acontecendo, e os parlamentares disseram, inclusive, que haviam sido “enganados” pelas companhias. Desde 2016, os despachos não precisavam mais ser gratuitos, devido a uma resolução da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com exceção de bagagens de mão de até 10 quilos. De qualquer forma, diz Oliveira, o que trará mais reconhecimento ao turismo em Porto Alegre nem é tanto as eventuais cobranças ou gratuidade nas bagagens despachadas, mas sim a receptividade e diversidade de atrativos do local.

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) disse “entender que temas aprovados visando desburocratizar e simplificar o ambiente de negócios da aviação são positivos”, relacionado à totalidade da MP, e na esteira da recuperação do setor aéreo em um momento de diminuição das restrições causadas pela Covid-19. Porém, a volta do despacho sem custos adicionais é chamado de “retrocesso”. “Antes desta regra o valor pelo despacho de bagagem era diluído no preço dos bilhetes de todos os passageiros”, destacou a Abear. A associação disse ainda que logo após a cobrança ser implementada, oito empresas estrangeiras, sendo sete “low cost”, demonstraram interesse em operar no Brasil.