O perigo de um incêndio como o que ocorreu nas lojas Renner, em 1976, pode acontecer de novo. O temor da população é que a Capital não tenha hidrantes suficientes para atender a uma tragédia desse tipo. O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) garante que Porto Alegre tem equipamentos suficientes para enfrentar um grande incêndio. Com uma malha de 1.667 hidrantes, a Capital atende a critérios estabelecidos na norma técnica brasileira, que determina distância de um raio de 300 metros em zonas industriais e comerciais e densamente povoadas e de 600 metros em zonas residenciais.
Conforme o diretor de Operações do Dmae, James Mendel Shostack, do total, 25% dos hidrantes estão na região central da cidade. Ele considera que esse percentual é adequado e que, a cada empreendimento construído, há a instalação de novos hidrantes por conta da iniciativa privada. Em um novo loteamento é verificada a capacidade da rede e também a necessidade de hidrantes. “O Dmae tem aproximadamente 4 mil quilômetros de rede de abastecimento de água. Dá para ir até Natal, no Rio Grande do Norte, e voltar”, compara.
A função primordial de um hidrante é ser fonte de água para os bombeiros em combate a incêndios, mas também é utilizado pelo Departamento em vários casos, como o da retirada de ar das tubulações. “Muitas vezes pode ter ar na tubulação em razão de falta de energia ou manutenção”, explica Shostack. “A água dos hidrantes, nesses casos, é a ferramenta para expurgar o ar e também serve para desinfecção dos canos.”
Muitos dos hidrantes foram instalados no século passado, mas seguem em condições de uso. As vistorias são feitas semestralmente ou quando é detectado algum problema. Nessas revisões, são testados registros, os bujões (peça que conecta o hidrante à mangueira), engates e tampas. Na opinião de Shostack, o incêndio no Mercado Público, ocorrido em 2013, só não teve maiores proporções porque os bombeiros fizeram uma rápida intervenção e os hidrantes funcionaram perfeitamente.
Os problemas mais comuns são o vandalismo e o furto das tampas e dos bujões. Para evitar esse tipo de crime, os parafusos que conectam os bujões ao corpo do hidrante passaram a ser soldados.
Dmae garante hidrantes suficientes para enfrentar grandes incêndios
Porto Alegre possui 1.667 equipamentos