Ações de conscientização sobre o descarte correto do lixo marcaram as comemorações de 32 anos do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) nesta quinta-feira. Pioneiro na implantação da coleta de resíduos, o Bom Fim foi o bairro escolhido para realizar a Blitze da Coleta Seletiva. Acompanhado de uma equipe de garis, o prefeito Sebastião Melo percorreu as ruas Vasco da Gama e Fernandes Vieira e conversou com a população sobre a importância de destinar corretamente os resíduos produzidos em casa.
Bem recebido pela população na maior parte do trajeto, Melo recolheu lixo e orientou moradores a realizarem a coleta seletiva. Conforme Melo, o primeiro desafio é conscientizar o cidadão sobre a necessidade de separar os resíduos. “Separar o lixo tem dois benefícios fundamentais pra vida de uma cidade e da sua população. O primeiro é a questão ambiental, de sustentabilidade. E o segundo é a questão social. Cada quilo de lixo separado é destinado a um dos 19 galpões que a cidade tem. E lá na ponta são mais de mil famílias no total que separam esse lixo e transformam esse lixo num ativo econômico”, compara.
Segundo Melo, por conta da ação de clandestinos, a Cooperativa de Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (Cootravipa) recolhe menos lixo. “A nossa cidade poderia hoje ter 300 toneladas de lixo separados todos os dias. O que o DMLU está alcançando é nada mais nada menos do que 60 toneladas, o que é muito pouco. Claro que aí tem os clandestinos que alcançam um pouco, mas mesmo com ação clandestina e serviço regular, existe um déficit enorme que nós deveríamos ter ainda de lixo que poderia ser aproveitado pelo benefício da cidade”, observa.
Nem mesmo o lixo colocado no Paço Municipal passa incólume pela ação de clandestinos. “Pegam muito lixo na frente da prefeitura, mesmo com um contrato regular, mas muitas vezes quando chega o caminhão da Cootravipa já não tem mais lixo”, frisa. De acordo com Melo, na maioria dos casos os contêineres - que são destinados a colocação de lixo orgânico - carrega lixo misturado. “Vem o catador, tira o lixo que não é orgânico, já deixa o restante no chão, e cria um problema pra cidade. Melo reforça que o lixo seletivo deve ser colocado ao lado do contêiner em datas diferentes das datas do lixo orgânico”, completa.
O gari Guilherme Rolim Vieira, 23, afirma que o descarte correto do lixo é fundamental porque evita o acúmulo de resíduos e pode prevenir acidentes com seringas, por exemplo. Gari há três anos, Vieira liderou o grupo que percorreu as ruas Vasco da Gama e Fernandes Vieira. Além de conversar com pedestres e moradores da região, os garis distribuíram folders com orientações sobre descarte adequado de lixo. Durante o trajeto, eles se depararam com uma triste realidade: lixo acumulado do lado de fora dos contêineres. “Como eu sou gari, passei por varrição, entre outras funções, sempre tive essa preocupação comigo e com meus colegas”, destaca.
Folders de orientação foram distribuídos | Foto: Matheus Piccini
Mais do que o descaso da população, Vieira relata que já passou por episódios de preconceito. “Quando eu estou no ônibus, têm pessoas que não sentam do meu lado por eu estar uniformizado. Algumas pessoas ainda não aceitam que esse trabalho é necessário. Nossa função é necessária”, recorda. “Durante a pandemia, a gente não parou, porque se a gente parasse de limpar, a cidade ficaria muito suja. Então a gente está trabalhando o máximo que a gente pode, se esforçando com a cooperativa, com o DMLU e a prefeitura pra gente poder botar toda a cidade em ordem”, completa.
Gari há três anos, Vieira liderou o grupo que percorreu as ruas Vasco da Gama e Fernandes Vieira | Foto: Matheus Piccini
Diretor-geral do DMLU, Paulo Marques explica que as blitze devem ocorrer até o final do ano. “Fomos pioneiros na implantação desse serviço e também já fomos referência na América Latina sobre a questão da coleta seletiva. Nós arrecadamos em média 50 toneladas por dia, que está acima da média nacional, mas nós precisamos avançar muito, precisamos conscientizar as pessoas. Conforme Marques, em torno de 1.100 toneladas de resíduos são coletadas diariamente nas residências. “Ao chegar lá no transbordo, a gente consegue constatar que dessas 1.100 toneladas 250 poderiam ser recicláveis. Isso traria uma economia das despesas do poder público, ou seja, nós poderíamos aplicar esses valores em outras benfeitorias”, afirma.
Conforme Marques, o governo mapeou 423 focos de lixos institucionalizados. “A gente limpa de manhã e à tarde está na mesma situação. Agora a prefeitura acabou de fazer uma limpeza no Arroio Sarandi e em dois quilômetros tinha mais 1,8 mil pneus. Então há uma necessidade de que as pessoas entendam a importância da segregação desse resíduo”, apela.