Com o início das obras de duplicação da BR 116, no trecho de Guaíba a Pelotas, em outubro de 2012, a fauna da região vem sendo monitorada por técnicos da empresa STE, responsável pelos trabalhos na rodovia. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o controle ocorre nos 211 quilômetros em obras, de Guaíba a Pelotas - entre os kms 300 e 511 da rodovia. Desde o começo das obras de duplicação, de acordo com o Dnit, foram tomadas medidas como instalação de telas isoladoras e construção/adaptação de passagens de fauna para permitir a travessia segura das espécies.
No mês de março, foi feita a contabilização dos dados refere-se à totalidade das amostragens realizadas de outubro de 2012 a dezembro de 2015. O levantamento da empresa mostra que no período 4.977 animais foram atropelados, sendo que 2.068 eram de aves.
As espécies nativas com maior incidência foram a pomba-de-bando, o joão-de-barro e o garibaldi. O biólogo Andrews Duarte, da empresa STE, informou que as espécies são granívoras, ou seja, se alimentam de grãos e sementes largamente oferecidas pelo derramamento da safra na rodovia. A tendência, porém, é que durante o outono, que começou em 20 de março, e o inverno ocorra um declínio no registro de aves atropeladas.
Os mamíferos aparecem em segundo lugar, com 1.884 animais atropelados. Com 601 registros, o gambá-de-orelha-branca é a espécie nativa com maior número de mortes, seguido do zorrilho com 152, e do preá, com 76. “Essas espécies possuem características de não se afugentarem com a rodovia, o que resulta em um número elevado de registros”, ressalta o biólogo.
No grupo dos répteis, por sua vez, ocorrem picos de atropelamentos na primavera e diminuição nas demais estações. Até dezembro de 2015, foram s 972 répteis mortos. A maioria era de tigre-d’água, com 329 casos; seguido do lagarto-teiú, com 128, e da cobra-d’água, com 103.
Duarte explica que ao longo da rodovia existem diversos ambientes de banhados e charcos, zonas úmidas que favorecem a presença dos animais. “As estradas também funcionam como um atrativo para este grupo pela necessidade da termorregulação (capacidade de um organismo de promover a manutenção de sua temperatura normal) e também a construção de ninhos, ficando expostos aos atropelamentos”.
Conforme o Dnit, os monitoramentos dos animais são feitos a cada dois meses, e nos intervalos do trabalho a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Ecosul (responsável pela concessão da rodovia) também fazem resgate e remoção dos animais.
Dnit adota medidas para diminuir mortes de animais na BR 116
Monitoramento ocorre nos 211 quilômetros de obras na rodovia