Geral

Dois cometas podem ser vistos no céu do Rio Grande do Sul

Lemmon e Pan-STARRS empolgam observadores do Hemisfério Sul

Cometa Lemmon observado na Zona Leste de Porto Alegre
Cometa Lemmon observado na Zona Leste de Porto Alegre Foto : Marnes Augusto Hoff / Metsul / CP
Dois cometas podem ser vistos neste começo de março no céu do Rio Grande do Sul e em grande parte do Hemisfério Sul: Lemmon e Pan-STARRS. O Lemmon, que ainda é visível só com equipamentos, pela sua magnitude, tem como característica a cor verde. Já o Pan-STARRS, que se aproxima do sol, está mais facilmente visível em áreas afastadas dos centros urbanos com simples binóculos nos finais de dia, na direção Sudoeste, pouco à esquerda de onde o sol se põe.

O incrível é poder observar os dois ao mesmo tempo no céu. Imagem feita pela Nasa no ar limpo do deserto de Atacama, no norte do Chile, mostra os astros no horizonte.


Dois cometas podem ser vistos no céu do Rio Grande do Sul | Foto: Nasa / Divulgação / CP

Cometa verde

O cometa C/2012 F6 Lemmon foi descoberto em 23 de março de 2012 pela equipe do Observatório de Mount Lemmon (Estados Unidos). Entre os dias 10 e 23 de março de 2013, ele brilhará próximo da magnitude 3 (estimativa), na constelação do Escultor.

A coloração esverdeada é resultado de sua composição química. Cometas são corpos celestes compostos por gelo, poeira e pequenos fragmentos rochosos cercado por envoltório gasoso que se move em torno do Sol em trajetória mais excêntrica que a dos planetas e com maior inclinação em relação à eclíptica plano da órbita da Terra.

O colaborador da MetSul Marnes Augusto Hoff conseguiu fotografar o difícil Lemmon de dentro de Porto Alegre. Segundo Hoff, a proeza foi na noite do dia 27 de fevereiro, apesar da poluição luminosa. Na foto, ele é apenas um “pontinho” esverdeado e meio borrado em meio às estrelas. “É interessante mesmo assim, pois a foto foi tirada sem telescópio. Apenas uma teleobjetiva de 300 mm e de dentro da cidade (bairro Partenon) com toda a luminosidade”, disse. A paisagem da foto é o alto do Morro da Glória, também conhecido pelos porto-alegrenses como Morro da Embratel ou das Antenas).


Apenas um “pontinho” esverdeado e meio borrado em meio às estrelas | Foto: Marnes Augusto Hoff / Metsul / CP

Próximo ao sol

Já o C/2011 L4 Pan-STARRS é um cometa não periódico (como o Halley) descoberto em 5 de junho de 2011 com o telescópio do Pan-STARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System), no estado americano do Havaí, usado para mapear o céu em busca de objetos próximos (Near Earth Objects) que possam colidir com a Terra. O cometa passa mais próximo da Terra na manhã de 5 de março, porém a 1,1 ua (165 milhões km).

Em Ivoti, o colaborador da MetSul e astrônomo amador Leonardo Severi fez imagens de Pan-STARRS. Segundo Severi, a proximidade com o sol dificulta a visualização. “A única chance de observá-lo é durante o entardecer e por poucos minutos”, relata.

O técnico em Astronomia da PUCRS Marcelo Bruckman disse ter conseguido avistar Pan-STARR do campus da universidade na Ipiranga, no bairro Partenon, por volta das 20h desta sexta-feira. Segundo Bruckman, a orientação para a visualização é o azimute em torno de 250° e altura de 20° por volta das 20h, mas pondera que as coordenadas podem sofrer variações.


A proximidade com o sol dificulta a visualização | Foto: Leonardo Severi / Metsul / CP

Show em 2007 e perspectiva para 2013

Não é a primeira vez que cometas chamam atenção dos aficionados aqui do Estado nos últimos anos. Em 2007, o cometa McNaught podia ser visto a olho nu do Gasômetro em Porto Alegre. A enorme cauda do C/2006 P1 McNaught sobre o Lago Guaíba protagonizou uma cena que jamais sairá da memória dos gaúchos que a observaram.

E 2013 pode ser o ano dos cometas. Astrônomos anunciam para o final do ano um espetáculo impressionante. O show seria dado pelo cometa ISON. De acordo com reportagem da revista Época, ISON ainda está longe, além da órbita de Júpiter, mas a partir de outubro poderá ser visto a olho nu. Em 26 de dezembro, atingirá a maior aproximação da Terra, 63 milhões de quilômetros, um terço da distância ao sol.

Bookmark and Share