De formação franciscana, dom Jaime - que tornou-se o sétimo arcebispo da história de Porto Alegre - baseou a homilia na pergunta de Jesus Cristo a Pedro, o apóstolo que conforme a Bíblia o negou por três vezes: “Tu me amas?” Ele destacou o papel dos jovens na Igreja. “A juventude é a força maior. Essa gurizada tem muita energia e creio que ela quer fazer a diferença para melhor”, avaliou o arcebispo, que é um entusiasta da utilização das redes sociais. Para dom Jaime, não se pode abrir mão de princípios e convicções que dizem respeito à essência da fé. “A realidade é dinâmica. Precisamos acompanhar esse movimento da sociedade sem perder aqueles valores, aquelas referências que para nós são indiscutíveis”, observou.
Ao orientar o seu sucessor sobre a responsabilidade da nova função, o agora arcebispo emérito dom Dadeus Grings arrancou risos dos fieis. “Na verdade, não é o senhor que toma posse da arquidiocese. É a arquidiocese que toma posse do senhor”, comentou. A celebração também foi acompanhada por outro arcebispo emérito de Porto Alegre, dom Altamiro Rossato, além de autoridades políticas, militares e representantes de outras religiões.
A família Spengler viajou sete horas de Gaspar, em Santa Catarina, para assistir a celebração. A mãe de dom Jaime, Léa Maria, 82 anos, foi uma das pessoas mais cumprimentadas ao final da missa. O pai, Genésio, 85, não pôde viajar devido a problemas de saúde. A irmã Lúcia, 43, comentou a sensação que a nomeação provocou na família. “Foi uma surpresa até pela idade dele. Não é muito comum”, explicou. Segundo ela, o irmão manifestou desde cedo a vocação pela Igreja. “Ele faz o que gosta e o que ama.”
Os jovens presentes à posse demonstraram entusiasmo com o novo arcebispo. O estudante Fabrício Canal, 20, que é de Gravataí - onde dom Jaime exercia a função de vigário episcopal - disse que Spengler incentiva a juventude e passa a sua mensagem de forma clara. “Tanto que, nas missas de crisma, ele sempre diz três coisas: para se afastar de tudo o que é ruim, estudar bastante e sempre que preciso procurar a Igreja”, recordou. Já a irmã da Congregação da Divina Providência Maria Eloni Coczenski, 61, destacou que dom Jaime é um religioso ponderado e que sabe ouvir. “Estamos muito felizes com a escolha. Desejo a ele a luz e a sabedoria de Deus no dia a dia e que não desanime frente aos contratempos.”
Desde que foi elevada à condição de arquidiocese pelo papa Pio X, em 1910, a Capital teve seis arcebispos: dom Cláudio Ponce de Leão (1910-1912), dom João Becker (1912-1946), dom Vicente Scherer (1946-1981), dom João Cláudio Colling (1981-1991), dom Altamiro Rossato (1991-2001) e dom Dadeus Grings (2001-2013).