A amizade entre o capataz Saul Mendonça, de 71 anos, e um gatinho que ele batizou de "Tempestade" comoveu os leitores do Correio do Povo nesta terça-feira. Tudo porque o aposentado não sossegou até salvar o bichano, que estava ilhado no telhado de um casebre em Quaraí, devido à cheia do rio Uruguai. "Eu não podia deixar ele", justifica. O homem auxiliou no resgate de diversas pessoas que foram afetadas pela chuva no seu município, mas não esqueceu do felino assustado que tentava sobreviver ao temporal de segunda-feira.
Seu Mendonça, como é conhecido na cidade, já adotou diversos animais ao longo da vida, mas Tempestade tem um significado especial para ele. Afinal, o nome do "novo amigo" foi escolhido, segundo ele mesmo, para simbolizar a tragédia que assolou o Estado. Agora, o animalzinho não sai de dentro da camisa do aposentado, enquanto ele percorre os quatro cantos da inundada Quaraí de barco. "Ele é meu companheiro", resume o salvador do felino.
A imagem do gaudério de chapéu e bombacha contrasta com a ternura que ele desprende ao filhote desde que o encontrou. "O meu tio é muito carinhoso, ele vive dando comida ao gatinho", entrega a sobrinha Alaxerma, também encantada com a amizade entre os dois.
A história de Seu Mendonça e Tempestade ganhou destaque quando o repórter fotográfico do Correio do Povo Daniel Badra contratou o capataz para guiá-lo de barco afim de que pudesse registrar as cheias do rio Uruguai. Ao ouvir miados ao longe, o repórter flagrou o desespero do felino, que estava abandonado à própria sorte.
O dia que poderia ter um final trágico para o cinzento gatinho, se transformou num recomeço para duas vidas. No exato instante em que um capataz aposentado se comoveu com os apelos de um bichano, Tempestade conquistou um novo lar, e os gaúchos ganharam uma lição de humanidade.
Duas vidas unidas pela tragédia em Quaraí
Felino símbolo de resistência às chuvas se torna "melhor amigo" de Seu Mendonça