Uma paisagem desértica chama a atenção dos turistas no Litoral Norte. As dunas no município de Cidreira, próximas ao limite com Tramandaí, preenchem os olhos de muitos visitantes. Perto do parque eólico e da ERS 786, a área de preservação permanente de aproximadamente 10 quilômetros de extensão, conhecida como Praia das Cabras, é um diferencial, por ser o último refúgio ainda preservado de dunas na região.
“A dimensão do depósito e a formação de um mirante natural são os principais motivos das visitas. De lá é possível ter uma visão panorâmica muito bela, do mar a lagoa”, acredita o biólogo da Secretaria do Meio Ambiente de Cidreira, Pedro Terra Leite. A prefeitura não tem conhecimento de quantas pessoas visitam a área, pois ela é aberta ao público. “Não há restrição de horários de visitas, por exemplo, nem indicação das regras porque não é uma unidade de conservação. Isso traz alguns problemas como resíduos deixados no local e retirada de areia pelas mineradoras ilegalmente”, conta Leite.
Dessa forma, a ONG Farol da Terra, entrou com um pedido em 2010 para o Departamento de Florestas e Áreas Protegidas (Defap) do RS para que o local fosse considerado uma unidade de conservação, pois para a ONG não é só a parte ecológica que deve ser preservada, mas também a histórica. No entanto, a classificação traria restrições nas áreas de utilização humana. “Há uma biodiversidade própria do local, que é ignorada por falta de conhecimento. Por isso, fazemos atividades de educação ambiental. Lá as pessoas se libertam, as crianças correm, pulam e rolam”, conta o presidente da ONG, Flávio Anderson Lopes Bulgari. Para ele, as dunas são meios de proteção natural, com flora e fauna diferenciadas.
Com a chuva, lagoas temporárias se formam entre as dunas e trazem ainda mais um complemento para a bela paisagem, comuns em ambientes de restinga. “É uma beleza cênica e um incentivo para as prefeituras para a realização de turismo natural”, destaca Leite.
Pelo terceiro ano consecutivo, Guilherme Bouvie, 21 anos, de Muçum, no Vale do Taquari, passava pela estrada admirando as altas dunas. Neste verão, decidiu ir com a namorada, Tais Demarchi, 18, conhecer o lugar. “Já tinha escutado pessoas falando daqui. Mas, para mim, o mais legal é o visual de deserto”, disse Bouvie. Luis Olavo Silva Lopes, de 56 anos, levou o filho de Porto Alegre, Vitor Peixoto Lopes, 15 anos, e o sobrinho, Gabriel Peixoto, de 16, para conhecer. “É uma paisagem diferente e um espaço para diversão”, afirma Lopes, que desceu e subiu as dunas correndo com os meninos.
Dunas de Cidreira encantam veranistas
Área de preservação permanente tem 10 quilômetros de extensão