As mortes de dois veranistas no último final de semana trouxeram à tona um grande problema para os turistas que costumam ir ao Litoral na chamada baixa temporada: o reduzido efetivo de salva-vidas, que este ano totaliza 144 profissionais contando militares e civis, nos litorais Norte e Sul. Nos anos anteriores, o contingente era de pelo menos 300 profissionais.
Os afogamentos ocorreram nos dias 7 e 8 deste mês. Um dos casos foi em Balneário Pinhal. Nesta praia, um garoto de 11 anos sumiu no mar. O corpo foi encontrado horas depois. A outra tragédia aconteceu na praia de Guarani, no município de Capão da Canoa. Um turista argentino, de 51 anos, foi nadar e acabou se afogando. As duas mortes ocorreram em frente a guaritas, que estavam sem salva-vidas.
De acordo com Renan Pradier, presidente da Associação dos Salva-Vidas Militares do Estado (Asavime), até o ano passado a desmobilização dos profissionais ocorria de forma escalonada. Parte da equipe era desligada no início do ano letivo, a outra na metade do mês de março e o restante ficava até o feriado de Páscoa, quando então eram encerradas as atividades. Este ano, salienta Pradier, não foi feito assim. Dos mil homens que atuaram na Operação Golfinho, pouco mais de 10%, permaneceram nas guaritas para atender os veranistas da baixa temporada. “Nos feriados de Páscoa de anos anteriores, o Corpo de Bombeiros solicitava um reforço de efetivo de cerca de 600 homens”, recorda. “No entanto, esse planejamento nunca foi atendido, mas os salva-vidas ganhavam um reforço de pelo menos 300 colegas”, disse.
Este ano, com o decreto do governo para economizar, houve o contrário. Com isso, salienta Pradier, o risco de mortes por afogamento aumentou, pois nem todos os pontos das praias são atendidos. O presidente da associação cita o exemplo de um balneário onde sete salva-vidas se revezam para atender uma área de 14 quilômetros. “Diante deste quadro, procuramos dividir a atuação dos profissionais”, afirma. “Eles são colocados nas áreas de maior movimento”.
De acordo com autoridades da área, o planejamento para este ano previa um orçamento de R$ 2,1 milhões para a manutenção dos salva-vidas na baixa temporada. Devido à necessidade de cortes nos gastos imposta pelo governo, foram liberados R$ 277 mil. A diária de um salva-vidas é de R$ 123.
Redução no passado foi trágica
Era final da temporada de 1999. A Brigada Militar comemorava não ter ocorrido nenhuma morte por afogamento naquele ano. No final de fevereiro, o governo do Estado resolveu que todo o efetivo de salva-vidas deveria voltar às cidades de origem, dando por encerrada a ação. No primeiro fim de semana após a decisão — já em março —, sete pessoas morreram afogadas em várias praias do Litoral Norte. A repercussão foi imediata e fez com que o governo reavaliasse a medida.
Na segunda-feira, logo após os afogamentos, os profissionais tiveram ordens de retornarem às guaritas e ficarem até a Páscoa, lembra o presidente da Associação dos Salva-Vidas Militares do Estado (Asavime), Renan Pradier. Este ano, de acordo com a BM, do dia 2 até 31 deste mês, serão 144 salva-vidas atuando nos litorais Norte e Sul. Ao todo, são 79 civis e 65 militares, distribuídos nas diversas praias da orla. No final do mês, o contingente será desmobilizado. Do dia 1º a 5 de abril — feriadão de Páscoa — serão convocados 167 militares para atuarem nas guaritas das duas regiões. Foi feito um estudo para colocar pelo menos uma guarita em caráter permanente em cada praia até o feriado. Porém, nem todo o Litoral ficou guarnecido.
Um veterano de operações no Litoral, que prefere o anonimato, comentou que, com o dinheiro curto, ficou difícil mobilizar um efetivo maior. Ele revelou estar “rezando e torcendo” para que chova no feriado de Páscoa. Segundo ele, se o tempo for bom, a tendência é de um grande público se deslocar para a orla, lotando a areia. “Se isso acontecer, existe a possibilidade de apuros”, comentou.
Efetivo de salva-vidas conta com apenas 144 profissionais na baixa temporada
Risco de mortes por afogamento aumentou, pois nem todos os pontos das praias são atendidos