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Efetivo de salva-vidas conta com apenas 144 profissionais na baixa temporada

Risco de mortes por afogamento aumentou, pois nem todos os pontos das praias são atendidos

Risco de mortes por afogamento aumentou, pois nem todos os pontos das praias são atendidos
Risco de mortes por afogamento aumentou, pois nem todos os pontos das praias são atendidos Foto : Mauro Schaefer / CP Memória
As mortes de dois veranistas no último final de semana trouxeram à tona um grande problema para os turistas que costumam ir ao Litoral na chamada baixa temporada: o reduzido efetivo de salva-vidas, que este ano totaliza 144 profissionais contando militares e civis, nos litorais Norte e Sul. Nos anos anteriores, o contingente era de pelo menos 300 profissionais.

Os afogamentos ocorreram nos dias 7 e 8 deste mês. Um dos casos foi em Balneário Pinhal. Nesta praia, um garoto de 11 anos sumiu no mar. O corpo foi encontrado horas depois. A outra tragédia aconteceu na praia de Guarani, no município de Capão da Canoa. Um turista argentino, de 51 anos, foi nadar e acabou se afogando. As duas mortes ocorreram em frente a guaritas, que estavam sem salva-vidas.

De acordo com Renan Pradier, presidente da Associação dos Salva-Vidas Militares do Estado (Asavime), até o ano passado a desmobilização dos profissionais ocorria de forma escalonada. Parte da equipe era desligada no início do ano letivo, a outra na metade do mês de março e o restante ficava até o feriado de Páscoa, quando então eram encerradas as atividades. Este ano, salienta Pradier, não foi feito assim. Dos mil homens que atuaram na Operação Golfinho, pouco mais de 10%, permaneceram nas guaritas para atender os veranistas da baixa temporada. “Nos feriados de Páscoa de anos anteriores, o Corpo de Bombeiros solicitava um reforço de efetivo de cerca de 600 homens”, recorda. “No entanto, esse planejamento nunca foi atendido, mas os salva-vidas ganhavam um reforço de pelo menos 300 colegas”, disse.

Este ano, com o decreto do governo para economizar, houve o contrário. Com isso, salienta Pradier, o risco de mortes por afogamento aumentou, pois nem todos os pontos das praias são atendidos. O presidente da associação cita o exemplo de um balneário onde sete salva-vidas se revezam para atender uma área de 14 quilômetros. “Diante deste quadro, procuramos dividir a atuação dos profissionais”, afirma. “Eles são colocados nas áreas de maior movimento”.

De acordo com autoridades da área, o planejamento para este ano previa um orçamento de R$ 2,1 milhões para a manutenção dos salva-vidas na baixa temporada. Devido à necessidade de cortes nos gastos imposta pelo governo, foram liberados R$ 277 mil. A diária de um salva-vidas é de R$ 123.

Redução no passado foi trágica

Era final da temporada de 1999. A Brigada Militar comemorava não ter ocorrido nenhuma morte por afogamento naquele ano. No final de fevereiro, o governo do Estado resolveu que todo o efetivo de salva-vidas deveria voltar às cidades de origem, dando por encerrada a ação. No primeiro fim de semana após a decisão — já em março —, sete pessoas morreram afogadas em várias praias do Litoral Norte. A repercussão foi imediata e fez com que o governo reavaliasse a medida.

Na segunda-feira, logo após os afogamentos, os profissionais tiveram ordens de retornarem às guaritas e ficarem até a Páscoa, lembra o presidente da Associação dos Salva-Vidas Militares do Estado (Asavime), Renan Pradier. Este ano, de acordo com a BM, do dia 2 até 31 deste mês, serão 144 salva-vidas atuando nos litorais Norte e Sul. Ao todo, são 79 civis e 65 militares, distribuídos nas diversas praias da orla. No final do mês, o contingente será desmobilizado. Do dia 1º a 5 de abril — feriadão de Páscoa — serão convocados 167 militares para atuarem nas guaritas das duas regiões. Foi feito um estudo para colocar pelo menos uma guarita em caráter permanente em cada praia até o feriado. Porém, nem todo o Litoral ficou guarnecido.

Um veterano de operações no Litoral, que prefere o anonimato, comentou que, com o dinheiro curto, ficou difícil mobilizar um efetivo maior. Ele revelou estar “rezando e torcendo” para que chova no feriado de Páscoa. Segundo ele, se o tempo for bom, a tendência é de um grande público se deslocar para a orla, lotando a areia. “Se isso acontecer, existe a possibilidade de apuros”, comentou.