O acesso principal de Eldorado do Sul está bloqueado. Os pátios das empresas às margens da rodovia estão alagados. No momento, a água é o maior pesadelo dos cerca de 20 mil moradores desalojados — o município tem 37 mil residentes. O cenário logo choca. Há água acumulada nas ruas e parece que todos os habitantes estão fora de casa. Alguns vagam aparentemente sem rumo enquanto outros se ocupam de salvar pertences.
Quem não está desabrigado tenta ajudar. No ginásio Loteamento Popular, no Centro, o vice-prefeito, Domingos Sávio, lamentou a situação. “Só em 1967 houve enchente parecida com essa.” Ali estão alojadas 220 famílias. A alimentação é preparada por voluntários, que também recolhem mantimentos. “Por mais que a gente acolha bem, dê comida e roupa, ninguém queria estar aqui”, lembrou.
Bruna, 23, e os três filhos — de 8, 4 e 3 anos — chegaram no sábado. “Subimos móveis com tijolos antes de sair, mas parece que a água já atingiu mais da metade da casa”, lamentou. Colchões acumulam-se enfileirados. São eles que delimitam o espaço de cada família. Essa é a terceira vez que uma enchente atinge a cidade neste ano. Na primeira, não houve desabrigados. Na segunda, há três meses, 15 famílias tiveram que deixar suas casas. “Agora praticamente a cidade inteira foi atingida”, disse Sávio.
Eldorado do Sul vive drama devido à enchente
Acúmulo de água afeta mais da metade dos habitantes do município