“É um dor indescritível ver um filho morrer deste jeito. A única coisa que pude ensinar aos meus filhos era que deveriam trabalhar. E perdi um filho deste jeito, trabalhando”, contou José Prestes, profundamente emocionado no velório do seu filho, que ocorreu na manhã deste domingo, no Cemitério da Santa Casa. “Ele era muito trabalhador e não merecia morrer assim”, afirmou.
A tristeza também era em relação ao outro filho, Volmir, e ao sobrinho, Juarez, que estão internados no Hospital de Pronto Socorro (HPS) em situação delicada. “Acho que nunca vamos nos recuperar dessa tragédia”, disse. Além dos dois filhos, José tem mais seis. Eles residem todos no mesmo bairro. “O que vai dar força agora é a família”, desabafou.
Ele lembrou ainda que deveria estar presente no momento da tragédia. “Antes de sair de casa, eles me disseram para não ir. Falaram que era perigoso e que deveria ficar em casa. Acho que estavam pressentindo porque se estivesse lá iria morrer junto com o meu filho”, disse.
José foi avisado pouco depois do acidente, por volta das 11h, quando equipe do HPS entrou em contato, pedindo a presença de um familiar. “Quando pediram para ir ver Volmir, sabia que a tragédia tinha sido grande e que meu outro filho não deveria ter sobrevivido”, relatou.
O pai, que chegou a trabalhar na obra também, avaliou que o acidente pode estar relacionado a problemas nas escavações, que davam base para os pilar es e a laje que desabou. “Espero que as causas reais sejam conhecidas”, disse.
Valtair era casado com Viviane, com quem tinha um filho, Lucas, de 13 anos, e uma filha de criação, Amanda, de 17 anos. Viviane lembrou que ele, o irmão e o primo saiam de casa todos os dias por volta das 6h30min e demoravam quase 2h30min para chegar até o local da obra, localizada no extremo sul de Porto Alegre, no bairro Hípica.
No velório o clima era de indignação, tristeza e revolta. Familiares e amigos lotaram a capela 1 do Cemitério da Santa Casa, para prestarem as suas últimas homenagens.
O acidente
Uma laje da obra de construção da Estação de Bombeamento de Esgoto (EBE) da Restinga, terceirizada pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), desabou e provocou uma queda de aproximadamente 12 metros. O acidente ocorreu enquanto os trabalhadores executavam a colocação de uma viga de concreto. Como o material secou entre os escombros, o trabalho dos bombeiros tornou-se ainda mais difícil.
O resgate aos operários, que começou às 11h, atraiu um grande número de curiosos e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Brigada Militar, Samu e Defesa Civil. Oito operários foram resgatados ontem da construção, um foi retirado com vida do fosso e outro saiu morto do local. Um último funcionário permanece desaparecido.
Confira a lista dos operários já identificados:
Adir Quadris, 43 anos
Carlos da Silva, 31 anos
Felipe Viafore da Silva, 19 anos
Gilberto Borba, 18 anos
Juarez Machado Prestes, 39 anos
Marco Aurélio Mariano Leites, 22 anos
Mario dos Santos, 45 anos
Romaci Dias Soares, 34 anos
Volmir José Prestes, 35 anos