Em janeiro, 14 pacientes morreram esperando remoção no Amazonas

Em janeiro, 14 pacientes morreram esperando remoção no Amazonas

Sem UTI e internados no interior do estado, pacientes foram objeto de ação civil pública da Defensoria do Médio Solimões

R7

Sem UTI e internados no interior do estado, pacientes foram objeto de ação civil pública da Defensoria do Médio Solimões

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Quatro pacientes em estado grave da Covid-19 internados no hospital de Tefé, município a 522 quilômetros de Manaus, morreram na terça-feira, à espera de transferência para a capital ou outros Estados. Desde o início de janeiro, em levantamento da Defensoria Pública do Médio Solimões (que abrange, além de Tefé, as cidades de Uarini, Maraã, Fonte Boa, Jutaí, Juruá e Japurá) já morreram 14 pessoas à espera de transferência. Os sete municípios, como todos os 61 do interior do Amazonas, não têm sequer um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Todos os pacientes foram objeto de ação civil pública da Defensoria do Médio Solimões. A Justiça concedeu a liminar, mas o Estado do Amazonas tem recorrido. O argumento tem sido não a ausência de direito à remoção, mas o risco de "afetar a organização financeira e social do orçamento".

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A reportagem pediu ao governo do Estado levantamento sobre o total de pedidos de transferência de pacientes da Covid do interior para Manaus ou outros Estados e quantos foram efetivados, mas não obteve resposta. Segundo comunicado à reportagem, até essa quinta-feira, 28, foram transferidos de Manaus 296 pacientes.

"As transferências que estão sendo feitas de Manaus são de pacientes que não estão tão graves como os do interior, que não tem nenhum leito de UTI. As transferências têm sido de pacientes moderados, assim não vai desafogar nunca a fila dos graves do interior, que estão ficando para trás e morrendo, mesmo com decisões judiciais favoráveis às transferências", afirmou o defensor público Lucas Matos, um dos quatro que assinam as ações civis públicas de tentativas de transferência de pacientes do interior em estado grave. Além de Lucas Matos, subscrevem as defensoras Márcia Mileni Fontelles, Thais Correa e Carine Possidônio.

Na ação mais recente, diz o texto: "não há igualdade material entre pacientes do interior e da capital, especialmente quando vem sendo sucessivamente negada a transferência aos pacientes do interior."


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