Geral

Emergências superlotam e profissionais avaliam que situação "só vai piorar"

No Hospital de Clínicas da Capital, setor atende três vezes a capacidade

Superlotação dos hospitais se agrava em Porto Alegre
Superlotação dos hospitais se agrava em Porto Alegre Foto : Vinícius Roratto
“A crise nas emergências hospitalares explodiu. Agora só vai piorar”. Esta é a avaliação feita nesta terça pela chefe do Serviço de Enfermagem da Emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Lurdes Busin. Diante da superlotação e das condições críticas em que alguns pacientes estavam acomodados na pequena área da emergência, ela não conseguia encontrar palavras para definir a crise. “Não é uma guerra ou uma calamidade pública. Não há mais palavras para descrever a situação. O que sabemos é que a cada dia está pior”, resumiu.

Em frente à entrada da emergência, um painel na cor vermelha alertava para a superlotação. Em uma estrutura com capacidade para 49 pacientes, o número de enfermos era quase três vezes maior. Do lado de fora, familiares tentavam compreender o que ocorria e qual seria a melhor solução para garantir atendimento mais adequado.

Pacientes eram levados de um lado para outro. Macas e cadeiras tomavam conta dos corredores. Nem nas salas de triagem e de espera a movimentação era menor. Os pacientes que vêm do Interior em busca de atendimento e outros que não têm assistência básica nos postos são alguns dos fatores apontados como decisivos para amenizar a crise. A mesma situação também se repete nas outras unidades da Capital.

Na emergência do Hospital Santa Clara, no Complexo Hospitalar Santa Casa, em um espaço para 12 pacientes, havia 21. Na ala infantil, que fica no Hospital da Criança Santo Antônio, para 13 leitos estavam em atendimento
16 pacientes. Já no Hospital São Lucas, da PUCRS, o drama era maior: havia 35 pacientes em espaço idealizado para 15.

O Setor de Emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, na zona Norte, abrigava o triplo de pacientes para o número de leitos disponíveis. Segundo a vice-presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Maria Rita de Assis Brasil, a única maneira de mudar essa realidade é com a abertura de novos leitos de internação. Para ela, outras ações são paliativas e não resolvem efetivamente o problema. “Não adianta o paciente receber o atendimento de emergência e depois não ter como deixar a ala porque não há leitos. Isso é um absurdo”, afirmou. Maria Rita lembrou ainda que a situação reflete negativamente sobre os profissionais que, diante do caos, não podem solucionar o problema. “É um momento de profunda tristeza para a saúde”, atestou.


Emergência do Clínicas tem capacidade para 49 pacientes mas está com três vezes mais enfermos | Foto: Vinícius Roratto

Bookmark and Share