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Empreendimentos imobiliários modificam a paisagem da avenida Tarso Dutra, em Porto Alegre

Compensações ambientais ainda estão sendo emitidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente

Foto : Alina Souza

A paisagem de uma das principais vias de Porto Alegre mudou radicalmente nos últimos anos. Outrora com diversas áreas verdes, a avenida Senador Tarso Dutra, no bairro Petrópolis, está recebendo, aos poucos, empreendimentos imobiliários, que alteram a dinâmica do local, trazendo apartamentos, escritórios e salas comerciais à região. Com preço médio de R$ 13,2 mil o metro quadrado, a Tarso Dutra é a oitava via mais cara da Capital, conforme o Correio do Povo mostrou em maio, utilizando dados da startup Loft, de compra e venda de apartamentos.

Um dos mais recentes é o Complexo Belvedere, junto ao Jardim Botânico de Porto Alegre, cuja construção está atualmente na fase de infraestrutura. Há o licenciamento junto à Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) de construir 150 mil metros quadrados de um shopping, duas torres e um possível hipermercado, cada um em um lote, embora haja uma informação extraoficial de que apenas este último deva ser construído neste primeiro momento.

É que o lote do hipermercado, disposto no centro do projeto, pertence ao Grupo Zaffari, e poderá receber também, além deste, mais um centro comercial, embora ainda não haja definição. Os outros dois estão em processo de negociação com a empresa Máquinas Condor, atual proprietária do local. A área em si já está mais valorizada, conforme gestores de edifícios próximos ouvidos sob condição de anonimato, com o incremento de pessoas interessadas em trabalhar no entorno. Procurado, o Grupo Zaffari disse que não tem informações para divulgar no momento.

As obras estão na fase de infraestrutura, que irá até o final do ano, com pavimentação, terraplanagem e a aplicação de camada de rachão. Depois, serão feitos o muro de contenção, redes pluvial, cloacal e de abastecimento de água. Junto ao complexo, duas ruas serão prolongadas, a Mário Antunes da Cunha e a Carlos Benevenuto Froner, e mais duas serão construídas, uma paralela à rua Engenheiro Antônio Carlos Tibiriçá e outra à rua Cristiano Fischer.

“As novas vias terão um impacto bom no trânsito da região”, projeta Andrea Azevedo, engenheira responsável pelo empreendimento. Tamanha construção requer uma compensação igualmente gigantesca. O Termo de Compromisso assinado pelo empreendimento com a Prefeitura é datado de agosto de 2016, e traz uma série de exigências, conforme a Smamus, que devem ser cumpridas no decorrer dos trabalhos. O escritório responsável pela consultoria de gestão ambiental fica no bairro Floresta, em Porto Alegre.

Nesta primeira fase, o projeto prevê a compensação pelo plantio de 30 mudas nativas, com altura mínima de 1,80 metro, que precisarão ser monitoradas e mantidas por, no mínimo, um ano. Outras duas árvores, um butiazeiro e uma gameleira, deverão ser transportadas. Os demais lotes ainda não tiveram as compensações emitidas pela Smamus, mas a reportagem apurou o conteúdo de dois deles, o do hipermercado e o do shopping, bem como o das vias públicas.

A empresa responsável deverá plantar 87 mudas e implementar um projeto de arborização viária, que por ora não foi elaborado pelo Meio Ambiente, bem como doar área de preservação ao município. Outras compensações incluem a revitalização da praça José Luiz Carneiro Cruz, no bairro Jardim do Salso, a construção de um belvedere de acesso público e uma ciclovia na avenida Bento Gonçalves, desde a avenida Elias Cirne Lima até a estrada João de Oliveira Remião, totalizando 3.450 metros de extensão.