Empresário de Santa Maria relata a agressividade da Covid-19
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Empresário de Santa Maria relata a agressividade da Covid-19

Valnei Beltrame tem uma loja de materiais de construção e sugere a outros empreendedores bom senso na retomada das atividades

Por
Gabriel Guedes

Empresário Valnei Beltrame, de Santa Maria, foi tratado com vários medicamentos, entre eles, a hidroxicloroquina

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Aliviado por já ter enfrentado o novo coronavírus, o empresário de Santa Maria, Valnei Beltrame, 57 anos, é mais um a testemunhar a forma agressiva com a qual o vírus ataca o organismo. "Eu não brincaria. Acho que é uma coisa muito forte e a população não está entendendo a gravidade da situação. Como eu fico isolado, em casa, na beira da BR, vejo pessoal passando correndo", afirma. Esta terça-feira também marcou o retorno aos trabalhos em sua loja, que comercializa materiais de construção. "Fui muito impactado. Ontem foi dia da folha de pagamento e desde o dia 20 de março não trabalhamos. Mas estamos honrando os compromissos", garante Beltrame, que dá sustento para 150 pessoas. "Algumas, com mais de 60 anos e doentes crônicos estão em casa", pontua.

O santamariense conta que ele e a esposa, de 54 anos, contraíram a doença. Ele antes, entre os dias 8 e 11 de março, quando esteve na feira Revestir, em São Paulo. Integrante do consulado do Grêmio em Santa Maria, sem nenhum sinal de que estava com a Covid-19, foi ao Gre-Nal da Libertadores, no dia 12 de março, onde esteve com outros tricolores, que depois testaram como positivo para a infecção. Mas só foi no dia 18 em que começou a sentir os primeiros sintomas. "Aí me cadastrei na Unimed, o laboratório fez o exame e fiquei em casa. Aí no sábado (21) comecei a me sentir ruim, com febre alta. Dia 22 eu fui internado", conta. No hospital, com o exame na mão, a equipe médica lhe deu o veredito. "É covid e vamos te tratar. Aí fui tratado com hidroxicloroquina. Mas tive muita febre. Tiveram até que colocar compressas frias e tomar outras medicações mais fortes", relata. O alento de que o pior já havia passado, foi quando as dores pelo corpo começaram a cede. "As dores eram muito fortes ". No dia 29, foi a vez da companheira sentir os sintomas. "Aí completei o ciclo isolado e hoje (ontem) estou voltando", comemora.

Beltrame afirma que além das dores e da febre, ele teve tosse, mas não apresentou falta de ar esta, que foi o seu mais grave problema de saúde. "Nunca tive gripe, nunca internei em um hospital. Sem problemas de saúde. Essa foi a primeira vez e foi complicado", classifica. Apesar disso, nunca deixou de acreditar nos profissionais que estavam o cuidando. "Eu estava em boas mãos, os médicos, os infectologistas são bons. Estava tranquilo sabendo que a medicina tinha uma opção", revela. Beltrame quer que as pessoas saibam que o coronavírus é algo muito sério. "O pessoal deveria se resguardar mais", acredita. Mesmo sendo empresário, sabendo que muitas empresas dependem de venda, ele tem ciência de que não se pode ignorar as recomendações. "O comércio tem que começar lentamente, pra existir um bom senso. Se tiver que dar um passo atrás, tem que ser rápido. Tem que tomar cuidado, usar máscaras, ter higienização", aponta. "Quem puder, atenda em delivery (entrega a domicílio). Devemos respeitar a distância e tudo mais que o decreto (do governo do Estado) determina", defende.