Encerrou por volta das 9h30min desta quinta-feira o protesto de motoristas e cobradores de ônibus que paralisou o trânsito dos coletivos nos corredores das avenidas Farrapos, João Pessoa e Osvaldo Aranha, em Porto Alegre. Uma reunião da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) estava marcada para esta tarde, mas, segundo a assessoria de comunicação da entidade, foi adiada e não há nova data prevista.
Apenas depois do encontro entre empresários uma nova oferta aos rodoviários poderá ser formulada. Os donos de coletivos teriam maior interesse em acelerar a negociação neste ano, já que dependem do acerto com os funcionários para solicitar à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) o aumento da tarifa de ônibus, impactada também pelos investimentos exigidos pela nova licitação do transporte público. A data base do dissídio dos rodoviários é o dia 1º de fevereiro.
A operação tartaruga foi promovida pelo Sindicato dos Rodoviários e teve adesão, segundo a entidade, de mais de 80% dos trabalhadores. “Sempre vai ter um ou outro que vai reclamar e por isso pedimos desculpas à população também. A gente tem de fazer esse ato para mostrar para a patronal que nós movemos a cidade. Nós queremos um reajuste justo”, cobrou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Adair da Silva.
Os sindicalistas ainda ressaltaram que, ao contrário de outras mobilizações organizadas por grupos dissidentes, a operação de hoje foi informada com antecedência à população, por meio de comunicados à imprensa, na tarde dessa quarta-feira. Conforme Silva, como houve uma negociação entre a categoria e a EPTC sobre a realização do protesto, eles (rodoviários) não devem receber qualquer cobrança de multa. Um princípio de confronto foi registrado durante a operação na avenida Farrapos, quando os rodoviários alegaram que um policial militar disparou spray de pimenta no rosto de alguns manifestantes.
Os funcionários contestam a oferta das empresas de ônibus de 8% de reajuste neste ano e aumento de apenas R$ 0,50 no vale-alimentação, que atualmente é de R$ 21. Eles pedem 15% de aumento nos salários e que o vale chegue a R$ 25. Além da inflação maior deste ano, os rodoviários justificam o pedido pelo aumento da insegurança nas ruas, devido ao maior número de assaltos registrado no último ano.
Empresários de ônibus não têm previsão para negociar com rodoviários
Trabalhadores fizeram operação tartaruga em corredores de Porto Alegre