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Empresários de ônibus não têm previsão para negociar com rodoviários

Trabalhadores fizeram operação tartaruga em corredores de Porto Alegre

Rodoviários protestaram na manhã desta quinta-feira
Rodoviários protestaram na manhã desta quinta-feira Foto : Guilherme Testa
Encerrou por volta das 9h30min desta quinta-feira o protesto de motoristas e cobradores de ônibus que paralisou o trânsito dos coletivos nos corredores das avenidas Farrapos, João Pessoa e Osvaldo Aranha, em Porto Alegre. Uma reunião da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) estava marcada para esta tarde, mas, segundo a assessoria de comunicação da entidade, foi adiada e não há nova data prevista.

Apenas depois do encontro entre empresários uma nova oferta aos rodoviários poderá ser formulada. Os donos de coletivos teriam maior interesse em acelerar a negociação neste ano, já que dependem do acerto com os funcionários para solicitar à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) o aumento da tarifa de ônibus, impactada também pelos investimentos exigidos pela nova licitação do transporte público. A data base do dissídio dos rodoviários é o dia 1º de fevereiro.

A operação tartaruga foi promovida pelo Sindicato dos Rodoviários e teve adesão, segundo a entidade, de mais de 80% dos trabalhadores. “Sempre vai ter um ou outro que vai reclamar e por isso pedimos desculpas à população também. A gente tem de fazer esse ato para mostrar para a patronal que nós movemos a cidade. Nós queremos um reajuste justo”, cobrou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Adair da Silva.

Os sindicalistas ainda ressaltaram que, ao contrário de outras mobilizações organizadas por grupos dissidentes, a operação de hoje foi informada com antecedência à população, por meio de comunicados à imprensa, na tarde dessa quarta-feira. Conforme Silva, como houve uma negociação entre a categoria e a EPTC sobre a realização do protesto, eles (rodoviários) não devem receber qualquer cobrança de multa. Um princípio de confronto foi registrado durante a operação na avenida Farrapos, quando os rodoviários alegaram que um policial militar disparou spray de pimenta no rosto de alguns manifestantes.

Os funcionários contestam a oferta das empresas de ônibus de 8% de reajuste neste ano e aumento de apenas R$ 0,50 no vale-alimentação, que atualmente é de R$ 21. Eles pedem 15% de aumento nos salários e que o vale chegue a R$ 25. Além da inflação maior deste ano, os rodoviários justificam o pedido pelo aumento da insegurança nas ruas, devido ao maior número de assaltos registrado no último ano.