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Empresa não tinha preparo para conter vazamento, afirma Fepam

Nove pessoas foram intoxicadas por amônia no sábado, em Nova Santa Rita

Produto vazou durante manutenção de uma válvula
Produto vazou durante manutenção de uma válvula Foto : Vinícius Roratto
Em razão do vazamento de 30 metros cúbicos de amônia da Reiter Log Multilogística e Multisoluções de Nova Santa Rita, na região Metropolitana, a empresa será autuada pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e vai receber multa que pode chegar a R$ 100 mil. Segundo o engenheiro químico do Serviço de Emergência da Fepam, Renato Zucchetti, a empresa não tinha equipe para controlar a situação, nem equipamento autônomo.

No sábado, nove pessoas foram intoxicadas, sendo seis socorristas e três moradores das proximidades. Eles sentiram ardência nos olhos, na boca e no nariz e ficaram em observação no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Canoas. De acordo com o gerente da empresa, Soni Wiebusch, o vazamento ocorreu durante a manutenção de uma válvula.

Zucchetti informou que os bombeiros foram acionados, porque o operador não conseguiu fechar o equipamento. Eles demoraram duas horas, das 14h às 16h, para conter a substância, que é altamente tóxica. “A amônia causa irritação nas vias respiratórias e pode provocar uma parada cardíaca”, explicou. A névoa formada pelo produto chegou a atingir um metro. Uma das vítimas, Elbio Bloedow, passava de bicicleta pelo local e desmaiou. Se não fosse socorrido a tempo, poderia ter morrido.

Além disso, a Fepam identificou que a Reiter não tem hidrantes. “Eles estavam inoperantes, tanto que o responsável chegou ao local somente às 19h”, acrescentou Zucchetti. A Fundação irá exigir equipamentos e equipe adequados para o controle de vazamentos e também instalação de um detector de gás com alarme, já que há imóveis residenciais a poucos metros da companhia.

Wiebusch alegou que a Reiter tem funcionários específicos para atuar em situações como essa, mas que não estavam no local por ser final de semana. Quanto aos equipamentos, ele admitiu que a empresa, instalada na cidade há um ano, possui somente máscaras, mas deve adquirir tudo o que for indicado e fazer adequações.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente esteve na Reiter na manhã desta segunda-feira. O licenciador Elson Costa garantiu que já não havia a presença da substância e que os vizinhos não corriam riscos. “A amônia foi estancada e vamos pedir um relatório do acidente”, disse. A empresa tem licenciamento ambiental emitido pela pasta e nenhum caso do tipo havia sido registrado anteriormente no local, conforme Costa.

No entanto, a dona de casa Cleidi Bauer Thoffolo, que mora em frente à empresa, afirmou já ter sentido cheiro forte de amônia outras vezes. Ela foi uma das intoxicadas e precisou ser hospitalizada. “Senti uma ardência nos olhos e na garganta. Tive que correr para dentro de casa”, contou. Ela pretende denunciar o caso ao Ministério Público do Estado. Cinco ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram usadas para socorrer as vítimas, que passam bem.

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