No sábado, nove pessoas foram intoxicadas, sendo seis socorristas e três moradores das proximidades. Eles sentiram ardência nos olhos, na boca e no nariz e ficaram em observação no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Canoas. De acordo com o gerente da empresa, Soni Wiebusch, o vazamento ocorreu durante a manutenção de uma válvula.
Zucchetti informou que os bombeiros foram acionados, porque o operador não conseguiu fechar o equipamento. Eles demoraram duas horas, das 14h às 16h, para conter a substância, que é altamente tóxica. “A amônia causa irritação nas vias respiratórias e pode provocar uma parada cardíaca”, explicou. A névoa formada pelo produto chegou a atingir um metro. Uma das vítimas, Elbio Bloedow, passava de bicicleta pelo local e desmaiou. Se não fosse socorrido a tempo, poderia ter morrido.
Além disso, a Fepam identificou que a Reiter não tem hidrantes. “Eles estavam inoperantes, tanto que o responsável chegou ao local somente às 19h”, acrescentou Zucchetti. A Fundação irá exigir equipamentos e equipe adequados para o controle de vazamentos e também instalação de um detector de gás com alarme, já que há imóveis residenciais a poucos metros da companhia.
Wiebusch alegou que a Reiter tem funcionários específicos para atuar em situações como essa, mas que não estavam no local por ser final de semana. Quanto aos equipamentos, ele admitiu que a empresa, instalada na cidade há um ano, possui somente máscaras, mas deve adquirir tudo o que for indicado e fazer adequações.
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente esteve na Reiter na manhã desta segunda-feira. O licenciador Elson Costa garantiu que já não havia a presença da substância e que os vizinhos não corriam riscos. “A amônia foi estancada e vamos pedir um relatório do acidente”, disse. A empresa tem licenciamento ambiental emitido pela pasta e nenhum caso do tipo havia sido registrado anteriormente no local, conforme Costa.
No entanto, a dona de casa Cleidi Bauer Thoffolo, que mora em frente à empresa, afirmou já ter sentido cheiro forte de amônia outras vezes. Ela foi uma das intoxicadas e precisou ser hospitalizada. “Senti uma ardência nos olhos e na garganta. Tive que correr para dentro de casa”, contou. Ela pretende denunciar o caso ao Ministério Público do Estado. Cinco ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram usadas para socorrer as vítimas, que passam bem.