A terceira tentativa da Prefeitura de Porto Alegre de licitar o sistema de ônibus vai, enfim, contar com a participação das empresas que hoje operam a frota. A Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) confirma que todos os empresários vão apresentar propostas nesta segunda-feira, na sessão marcada para as 14h, na Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
Conforme o gerente técnico da entidade, Gustavo Simionovschi, a mudança do modelo econômico no terceiro edital, lançado no início de maio, motivou a decisão. Em vez de estabelecer custos fixos aos operadores, o novo texto condiciona os investimentos ao retorno financeiro durante o período de exploração do transporte, de 20 anos. Embora ainda considerem a proposta da Prefeitura rígida, os operadores garantem ter condições de oferecer as melhorias exigidas, como ar condicionado imediato em 25% dos ônibus.
“Apesar de todos esses requisitos do edital — o ar condicionado, 70% com elevador, mais de 240 carros novos —, a questão econômica é diferente, baseada na apropriação dos custos daquele momento. Ou seja, se no futuro mudar a característica do veículo ou da operação, vindo o BRT ou qualquer outro sistema, isso poderá ser apropriado ao longo do tempo”, explica.
Ainda, o edital divide o sistema em seis bacias da cidade. Hoje, há quatro áreas, sendo três operadas pela ATP e uma pela companhia pública Carris. O diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, diz que a notícia atende à expectativa da Prefeitura de atrair mais investidores após as alterações. Além das já conhecidas, ele espera que empresas de menor porte — inclusive do interior do Estado, que já teriam pedido informações sobre o processo — compareçam à entrega de propostas.
“É um modelo tarifário com garantias de que o usuário estivesse protegido e as empresas tivessem retorno do investimento. Já tínhamos certeza de que o edital evoluiu e trouxe avanços importantes e, portanto, acredito que, além dos atuais, novos operadores estarão entregando propostas”, afirma.
Assumirão o sistema aquelas que oferecerem menor tarifa aos usuários. Depois da definição, as empresas terão seis meses para fazer os investimentos mínimos estabelecidos. Assim, a renovação da frota deve pesar no reajuste da passagem no início de 2016, quando também será negociado o dissídio dos rodoviários. O valor ainda não foi estimado, mas a Prefeitura assegura que há tetos para o índice de reajuste que evitam que o custo aos usuários seja abusivo.
Empresas de ônibus devem entregar propostas à prefeitura de Porto Alegre nesta segunda
Assumirão o sistema aquelas que oferecerem menor tarifa aos usuários