"Fizemos uma reunião com a Claro e ela nos apresentou um esboço de plano, contendo os investimentos da empresa já anunciados para este ano. Mas a Anatel também exigirá outros itens, como parâmetros mensais de aumento da capacidade e dados sobre o atendimento aos usuários", destacou Ramos, acrescentando que haverá uma nova rodada de negociações na segunda-feira.
No momento, o superintendente está reunido com executivos da TIM e receberá a cúpula da Oi na sexta-feira, às 11h. Segundo ele, as operadoras solicitaram os encontros para saber exatamente o que a Anatel exige para que seja cancelada a suspensão da venda de novas linhas. "Cada empresa está hoje em um patamar e por isso as metas para cada uma serão diferenciadas. A Anatel irá acompanhar o cumprimento das metas mensalmente e poderá determinar nova suspensão, se os patamares não forem atingidos", declarou Ramos.
Conforme o superintendente, as empresas punidas terão que colocar um aviso em todos os pontos de venda nos Estados onde foram penalizadas. Quanto às queixas de algumas companhias sobre a dificuldade de instalação de novas antenas, Ramos argumentou que a punição não se limita à má qualidade do serviço, mas também ao atendimento insatisfatório dos usuários nos call centers.
O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, afirmou nesta quinta-feira que as empresas de telefonia celular falharam ao não prever um aumento na demanda de seus serviços. Segundo ele, esse descompasso foi fruto de um erro de cálculo das empresas, que não promoveram melhorias em sua estrutura para suportar o crescimento do mercado. Para o secretário, o próprio consumidor vai punir essas empresas.
Alvarez salientou que as medidas aplicadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para punir as operadoras Oi, TIM e Claro foram extremas, mas não surpreenderam. Segundo ele, a agência reguladora apresentou dados que mostravam uma piora na qualidade dos serviços nos últimos quatro meses. O secretário avaliou que a medida trará uma requalificação do relacionamento entre empresas e consumidores. Segundo ele, o usuário brasileiro está mais exigente e quer ser bem atendido. "Invista, ou não venda", resumiu.
A justificativa para a Vivo ficar fora da suspensão de vendas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi de que ela não teve os piores indicadores em qualquer dos Estados. A informação é do secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez. Apesar disso, a Vivo foi a segunda que mais recebeu queixas nos Procons estaduais no primeiro semestre, atrás apenas da Claro, segundo um levantamento da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça, com base em dados do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec). Das 78 mil reclamações contra serviços de telefonia celular, a Claro recebeu 37,56% delas, seguida pela Vivo (15,19%), TIM (14,55%) e Oi (14,44%).
"Adotamos um juízo de, em vez de procurar um critério médio no Brasil, pegamos por Estados. Cada qual tem sua rede nessa ou naquela região, tem diferentes mercados. Para não ser injusto e fazer uma média brasileira, pois tem empresa que está em uma região e não em outra, a que apresentou o índice mais baixo sofreu a sanção", disse o secretário.
Segundo ele, ainda assim, as empresas que não tiveram as vendas suspensas, como Vivo, CTBC e Sercomtel, terão de aumentar os investimentos. "Esse é um problema geral, em maior ou menor grau. Então, a Anatel pediu a elas, que também tiveram reclamações, só não ficaram em último no ranking", definiu. "Todo mundo está devendo melhoras ao consumidor brasileiro."